Trégua anunciada por Trump derruba preço do petróleo e agita mercado mundial
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Pausa de cinco dias nos ataques a estruturas de energia do Irã reduz tensão no Oriente Médio, faz barril despencar mais de 13% e expõe incerteza sobre uma das principais rotas de petróleo do planeta
O anúncio de uma trégua de cinco dias nos ataques a instalações de energia no Irã, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma reação imediata no mercado internacional e derrubou o preço do petróleo nesta segunda-feira (23). Logo após a declaração, o barril do tipo Brent crude oil caiu mais de 13% e chegou a US$ 91,89 por volta das 8h, no horário de Brasília. Até então, o preço vinha em alta, variando entre US$ 105 e US$ 109, com pico de US$ 109,68 durante a madrugada.
Ao longo do dia, o mercado continuou instável, com oscilações nos preços. Por volta das 13h30, o contrato com entrega prevista para junho era negociado a US$ 99,49, ainda acumulando queda de 6,50% em relação ao fechamento da última sexta-feira (20). Outro tipo de petróleo bastante usado como referência, o West Texas Intermediate, também recuou: chegou à mínima de US$ 84,59 pela manhã e era vendido a US$ 91,10 no início da tarde, com baixa de 7,37%.
A queda acontece após os Estados Unidos anunciarem a suspensão temporária dos ataques contra a infraestrutura energética iraniana, poucas horas antes do fim do prazo dado por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima essencial por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. Qualquer ameaça a essa rota costuma impactar diretamente os preços globais de energia.
Segundo Donald Trump, houve conversas consideradas produtivas com o governo iraniano nos últimos dias, com possibilidade de avanço nas negociações para reduzir o conflito no Oriente Médio. Apesar disso, ainda não há confirmação de que o tráfego no estreito será totalmente normalizado.
O cenário segue cercado de incertezas. O Irã já havia sinalizado que poderia reagir com ataques a sistemas de energia e abastecimento de água em países vizinhos caso voltasse a ser alvo de ofensivas. A tensão já afeta grandes empresas do setor, como a Saudi Aramco, que precisou redirecionar parte da produção diante de dificuldades no transporte marítimo.
Especialistas alertam que, mesmo com a queda registrada nesta segunda-feira, o preço do petróleo deve continuar oscilando nos próximos dias. Isso porque o mercado ainda aguarda definições mais claras sobre o conflito e, principalmente, garantias de segurança para o fluxo de exportação na região, fator decisivo para o abastecimento global de energia.
Com informações da Reuters e CNN
Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil