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Economia

Dívida no rotativo do cartão explode no Brasil e governo estuda novas regras para conter juros de até 450% ao ano

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Encargos do crédito mais caro do sistema financeiro já somam cerca de R$ 758 mil por minuto no país; governo federal discute mudanças nas normas do cartão para tentar frear o avanço do endividamento das famílias

 

O governo federal ampliou os debates sobre possíveis mudanças nas regras do cartão de crédito no Brasil, com foco principalmente no chamado crédito rotativo — modalidade usada quando o consumidor paga apenas parte da fatura e deixa o restante para o mês seguinte. Considerado o tipo de crédito mais caro do sistema financeiro, o rotativo hoje gera encargos estimados em cerca de R$ 758 mil por minuto no país, o que ultrapassa R$ 1 bilhão por dia.

As taxas de juros dessa modalidade podem chegar a cerca de 450% ao ano, o que faz com que pequenas dívidas cresçam rapidamente. O volume total dessas pendências financeiras também vem aumentando ao longo dos anos. Em 2010, os débitos no rotativo do cartão somavam aproximadamente R$ 20 bilhões no Brasil.

Esse valor subiu gradualmente até 2017, quando atingiu cerca de R$ 40 bilhões. Naquele período, o governo e o Banco Central — instituição responsável por regular o sistema financeiro — tentaram reduzir o problema ao limitar o uso do rotativo a apenas 30 dias. A medida teve efeito inicial, mas o cenário mudou depois da pandemia de Covid-19. Com dificuldades financeiras e maior uso do crédito, o endividamento voltou a crescer rapidamente e ultrapassou os R$ 70 bilhões.

Em 2024, uma nova regra passou a limitar os juros do rotativo a 100% do valor da dívida. Na prática, isso significa que os encargos não poderiam ultrapassar o valor original devido. Mesmo assim, os números mostram que a mudança não foi suficiente para conter o avanço das dívidas.

Uma das explicações é a mudança de estratégia adotada por bancos e instituições financeiras. Em vez do rotativo tradicional, muitos clientes passaram a ser direcionados para o chamado crédito parcelado com juros — modalidade em que a fatura é dividida em várias parcelas, mas com cobrança de taxas. Embora seja menos cara que o rotativo, ainda representa um custo elevado para o consumidor.

Outro fator que ajudou a ampliar o problema foi o aumento do acesso da população ao sistema bancário após a pandemia. Cerca de 40 milhões de brasileiros passaram a ter conta em banco ou acesso a serviços financeiros nos últimos anos. Muitos desses novos clientes também passaram a possuir mais de um cartão de crédito, frequentemente sem um controle eficiente que avalie o nível total de endividamento. Somente nos últimos 12 meses, essa modalidade de crédito movimentou cerca de R$ 398 bilhões.

A falta de educação financeira também contribui para o cenário. Muitos consumidores desconhecem opções de crédito mais baratas, como empréstimos pessoais com juros menores, e acabam recorrendo ao cartão de crédito mesmo quando ele não é a alternativa mais vantajosa.

Diante desse quadro, o governo federal avalia novas medidas para tentar conter o crescimento das dívidas. Entre as possibilidades em discussão estão regras mais rígidas para a emissão de cartões de crédito e maior integração de dados entre instituições financeiras, o que permitiria avaliar melhor a capacidade de pagamento dos consumidores antes da liberação de novos limites.

A intenção é reduzir os impactos negativos do endividamento das famílias, que hoje acabam anulando parte dos efeitos positivos da economia brasileira, como a melhora no mercado de trabalho, a redução da inflação e o aumento da renda da população.

Com informações do jornal O GLOBO e CNN

Foto: © Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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