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Brasil

Endividamento bate recorde no Brasil e crédito fácil aprofunda pressão sobre famílias

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Com mais de 80% dos lares no vermelho, avanço do consignado e juros altos ampliam risco de inadimplência

O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível da história e segue em trajetória de alta, impulsionado pela expansão do crédito fácil — especialmente modalidades com desconto direto no salário — e pelo custo elevado dos juros no país.

Dados mais recentes mostram que cerca de 80,2% das famílias possuem algum tipo de dívida, o maior percentual já registrado desde o início da série histórica, iniciada em 2010. Ao mesmo tempo, aproximadamente 30% já enfrentam atraso no pagamento de contas, indicando um avanço da inadimplência após um período de estabilidade.

O cenário reflete uma combinação de fatores estruturais. De um lado, o crédito mais acessível — como o consignado, que desconta parcelas diretamente da renda — ampliou o acesso ao financiamento e ajudou a substituir dívidas mais caras, como as do cartão de crédito. De outro, essa facilidade acabou incentivando o uso recorrente, criando um ciclo contínuo de contratação de novos empréstimos.

Na prática, o consumidor troca uma dívida mais cara por outra mais barata, mas permanece endividado por mais tempo. Esse movimento se soma a outras formas de antecipação de renda que ganharam força nos últimos anos, elevando o comprometimento mensal do orçamento familiar.

O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento no país, presente na grande maioria dos lares com dívidas, o que evidencia que o problema não está apenas no acesso ao crédito, mas no uso frequente e prolongado dessas ferramentas.

Apesar de endividamento e inadimplência serem conceitos diferentes — o primeiro indica ter dívidas, enquanto o segundo representa atraso nos pagamentos —, a alta simultânea dos dois indicadores acende um alerta importante sobre a saúde financeira das famílias.

Outro fator decisivo é o nível elevado da taxa básica de juros da economia. Com juros altos, o custo dos empréstimos aumenta e reduz a capacidade de pagamento, pressionando ainda mais o orçamento doméstico. Esse cenário contribui diretamente para o crescimento da inadimplência e dificulta a renegociação das dívidas.

Os impactos também variam conforme a renda. Enquanto famílias de maior poder aquisitivo utilizam o crédito para manter o padrão de consumo, entre as de menor renda a inadimplência é mais elevada e a dificuldade de quitar dívidas é significativamente maior.

Com mais pessoas deixando de pagar suas contas, o próprio sistema financeiro reage: os bancos ficam mais cautelosos, restringem a oferta de crédito e encarecem ainda mais os empréstimos. O resultado é um ciclo que retroalimenta o problema — menos crédito disponível, mais caro e maior dificuldade de recuperação financeira.

O quadro reforça um padrão recorrente da economia brasileira, baseado no crescimento sustentado pelo consumo financiado. Esse modelo até gera expansão no curto prazo, mas tende a cobrar um preço elevado depois, com aumento do endividamento, perda de renda disponível e desaceleração da atividade econômica.

Com informações da CNN / Veja e Portal UAI

Foto: acervo Agência Brasil

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