Safra de amendoim recua após recorde, mas ainda supera 1 milhão de toneladas no Brasil
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Queda na área plantada e chuvas irregulares reduzem produção, enquanto preços baixos pressionam produtores
A produção brasileira de amendoim na safra 2025/26 deve alcançar cerca de 1,1 milhão de toneladas. Apesar de manter um volume elevado, o número representa uma queda de aproximadamente 19% em relação ao recorde histórico registrado no ciclo anterior, quando o país colheu 1,3 milhão de toneladas.
A retração está diretamente ligada à redução da área plantada, que caiu de cerca de 340 mil hectares para algo entre 240 mil e 250 mil hectares neste ano — uma diminuição próxima de 35%. O recuo é reflexo do desânimo dos produtores diante dos preços baixos, que, em alguns casos, estão até 20% abaixo do custo de produção.
Além do impacto econômico, o início da safra também foi marcado por dificuldades climáticas. Chuvas irregulares nas regiões Sul e Sudeste, responsáveis pela maior parte da produção nacional, atrasaram o plantio e geraram incertezas no campo. Ainda assim, a regularização do clima ao longo do ciclo permitiu boa recuperação das lavouras, garantindo produtividade considerada satisfatória.
O cenário atual é resultado de uma sequência de oscilações recentes. Em 2024, a produção foi prejudicada pela falta de chuvas no período de plantio. Já em 2025, a colheita recorde aumentou a oferta e ajudou a manter os preços pressionados, apesar de impulsionar as exportações. Naquele ano, o Brasil embarcou cerca de 172 mil toneladas de óleo de amendoim e 312 mil toneladas do grão in natura.
Para este ciclo, a expectativa do setor é de que a menor área cultivada ajude a equilibrar o mercado e favoreça uma recuperação gradual dos preços ao longo dos próximos meses.
Fortemente voltado ao mercado externo, o amendoim brasileiro tem cerca de 70% da produção destinada à exportação. Entre os principais destinos estão países da Europa e da Ásia, com destaque para Rússia, China e Argélia, que também atua como ponto de distribuição para o continente africano.
O comércio internacional, no entanto, enfrenta novos desafios. Tensões no Oriente Médio têm elevado os custos logísticos e afetado rotas estratégicas de transporte marítimo, forçando exportadores a buscar alternativas em outros portos e países. Ao mesmo tempo, mercados emergentes na região começam a ganhar espaço e devem contribuir para diversificar os destinos do produto brasileiro nos próximos anos.
Mesmo com a queda na produção, o setor mantém perspectivas positivas no médio prazo, apoiado na demanda externa e na possível recuperação dos preços, após um período de forte pressão sobre a rentabilidade no campo.
Com informações: Notícias Agrícolas e CNN Agro
Foto: FreePik ilustrativa