O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por mudanças recentes que resultaram em uma redução na presença feminina nos ministérios. Após a saída de integrantes do primeiro escalão para disputar as eleições, o número de mulheres caiu de dez para oito, enquanto o de homens subiu para 30. Antes, eram 28 homens e dez mulheres na Esplanada. A alteração ocorre justamente em um momento em que o governo tenta ampliar sua conexão com o eleitorado feminino.
No início do terceiro mandato, Lula havia formado uma equipe com 11 mulheres entre os 37 ministérios — um avanço em relação às gestões anteriores, quando havia apenas quatro ministras. Com o fim do prazo de desincompatibilização, mudanças foram oficializadas em 16 pastas. Entre as saídas estão nomes como Gleisi Hoffmann, que deve disputar o Senado, além de Simone Tebet, Marina Silva, Anielle Franco e Sônia Guajajara, todas com planos eleitorais.
Entre os substitutos anunciados, a maioria é composta por homens, o que contribuiu para a queda da representatividade feminina. Ainda assim, algumas mulheres assumiram cargos estratégicos, como Miriam Belchior e Fernanda Machiaveli. Outras ministras permanecem no governo, como Esther Dweck, Luciana Santos e Margareth Menezes.
Apesar da redução, o número de mulheres ainda é superior ao registrado no governo de Jair Bolsonaro no mesmo período eleitoral, quando havia apenas uma ministra em exercício.
Parlamentares da base governista avaliam que houve avanços, mas reconhecem que a participação feminina ainda está abaixo do ideal. A deputada Jack Rocha destacou que as mulheres são maioria na população e deveriam ter maior presença nos espaços de poder, alertando que a diminuição no número de ministras é um sinal de atenção.
No cenário eleitoral, o governo busca fortalecer o apoio entre as mulheres, que representam mais da metade do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Pesquisas indicam que esse público é um dos mais propensos a mudar de voto.
Diante disso, o Planalto tem reforçado pautas como o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. Ao mesmo tempo, adversários políticos, como Flávio Bolsonaro, também intensificam discursos voltados a esse segmento, contando inclusive com a influência de Michelle Bolsonaro para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.