Brasil tem juros médios no maior nível desde 2016 e crédito fica mais caro para famílias e empresas
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Taxa média de empréstimos chega a 32,8% ao ano em janeiro, segundo o Banco Central, enquanto inadimplência cresce e cenário fiscal e econômico mantém pressão sobre o custo do crédito no país
A taxa média de juros cobrada em operações de crédito no Brasil atingiu 32,8% ao ano em janeiro, o maior nível desde 2016, de acordo com dados do Banco Central do Brasil. O aumento representa uma elevação de 7,8 pontos percentuais desde o início do atual governo, movimento que, segundo analistas do mercado financeiro, está relacionado principalmente ao cenário fiscal desfavorável e ao aumento da percepção de risco na economia.
Mesmo com um leve corte na taxa básica de juros em março, especialistas avaliam que os efeitos positivos dessa redução devem demorar alguns meses para chegar de forma mais perceptível ao consumidor final. Na prática, o crédito segue caro e com impacto direto no orçamento das famílias e no custo das empresas.
Entre as pessoas físicas, o peso é ainda maior: os juros médios chegam a cerca de 38% ao ano, o maior patamar desde 2017. Já para as empresas, o custo também permanece elevado, com taxas em torno de 21,4% ao ano, o que dificulta investimentos, expansão e contratação de novos financiamentos.
O aumento do custo do crédito também está ligado à elevação do chamado spread bancário, que chegou a 21,9 pontos percentuais. Esse indicador representa a diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram ao emprestar, refletindo, segundo especialistas, uma maior cautela das instituições financeiras diante do risco de inadimplência e da incerteza sobre a capacidade de pagamento dos clientes.
Como consequência desse ambiente mais restritivo, a inadimplência também cresceu e atingiu 4,2%, o maior índice da série histórica. Com isso, os bancos se tornam mais seletivos na concessão de empréstimos, reduzindo a oferta de crédito e endurecendo as condições para novos financiamentos.
Além da política monetária, analistas apontam que o cenário fiscal também pesa sobre os juros. As contas públicas seguem pressionadas por déficits recorrentes e pelo aumento da dívida pública, que já se aproxima de 80% do Produto Interno Bruto, com expectativa de crescimento nos próximos anos. Esse quadro limita uma queda mais acelerada das taxas de juros no país.
Atualmente, a taxa básica de juros, conhecida como Selic, está próxima de 15% ao ano, colocando o Brasil entre os países com maior juro real do mundo. Mesmo com cortes recentes promovidos pelo Comitê de Política Monetária diante da desaceleração da economia, o efeito ainda não foi suficiente para reduzir de forma significativa o custo do crédito.
A atividade econômica perdeu ritmo ao longo de 2025, enquanto a inflação segue dentro da meta, embora ainda apresente pressões em alguns setores. Nesse cenário, o país convive com crédito mais caro, aumento da inadimplência e desaceleração econômica, resultado da combinação entre juros elevados, risco fiscal e menor dinamismo da economia.
Com informações da CNN / UAI / O Globo
Foto: acervo Agência Brasil