Minas Gerais

Especialistas veem precipitação comum no período de extravasamentos da Vale

FOTO: PREFEITURA DE CONGONHAS

Foto: Prefeitura de Congonhas

Após os extravasamentos registrados nas minas de viga e de fábrica, na região central de minas gerais, a vale atribuiu os episódios ao alto volume de chuvas.

Porém, dados oficiais do centro nacional de monitoramento e alertas de desastres naturais (cemaden), porém, indicam que a precipitação registrada no período foi compatível com a normalidade do auge da estação chuvosa.

Entre os dias 18 e 25 de janeiro, a estação de santo antônio do leite, próxima aos complexos minerários, acumulou 126,5 milímetros de chuva, volume considerado comum para janeiro, segundo especialistas do inmet e do cefet-mg.

Meteorologistas e pesquisadores ouvidos pela reportagem contestam a tese de chuva excepcional ou concentrada apresentada pela companhia. Para eles, episódios de 90 a 100 milímetros em poucos dias são frequentes nessa época do ano, especialmente sob influência da zona de convergência do atlântico sul.

Ainda que janeiro de 2026 tenha registrado aumento significativo de precipitação em relação aos anos anteriores, especialistas ressaltam que outros fatores, como saturação do solo, capacidade de drenagem, relevo e manutenção das estruturas, são determinantes para os impactos observados dados que não são amplamente divulgados pela empresa.

A falta de transparência da vale sobre os volumes exatos medidos por suas próprias estações meteorológicas e sobre a condição das estruturas de contenção também é alvo de críticas.

Pesquisadores apontam que cavas usadas para armazenamento de água e rejeitos, como a cava 18 da mina de fábrica, não constam em registros públicos da agência nacional de mineração, o que dificulta a fiscalização e a avaliação de riscos.

Segundo especialistas, se estruturas desse tipo já extravasam com chuvas consideradas normais, há preocupação sobre a segurança em cenários de precipitações extremas, com potencial de provocar efeitos em cascata e danos mais graves às áreas a jusante.

 

Compartilhar:

Posts Relacionados