O laudo médico divulgado pela Polícia Federal nesta sexta-feira (6) apontou alterações neurológicas em exames realizados no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília. Segundo a PF, o histórico recente de queda e episódios de desequilíbrio ao caminhar motivaram uma avaliação neurológica mais detalhada, que identificou possíveis comprometimentos ainda em investigação.
De acordo com o documento, Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve no início do ano, após cair dentro da cela e bater a cabeça em um móvel, quando ainda estava detido na Superintendência da PF. A perícia também levantou a hipótese de deficiência de micronutrientes, especialmente vitaminas do complexo B, como B12 e ácido fólico. O relatório relaciona essa possibilidade à idade do ex-presidente, ao histórico de doença do refluxo gastroesofágico, provocado pelo atentado a faca ocorrido em setembro de 2018 e ao uso prolongado de medicamentos, além de uma dieta considerada pouco variada e com baixo consumo de alimentos nutritivos.
Outro ponto destacado no laudo é o uso simultâneo de vários medicamentos, condição conhecida como polifarmácia. Segundo a PF, essa combinação pode aumentar o risco de efeitos adversos, principalmente quando envolve remédios que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular. Entre os possíveis efeitos estão sedação, tontura, lentidão psicomotora e queda de pressão ao se levantar, fatores que elevam o risco de novas quedas.
A Polícia Federal informou ainda que Bolsonaro tem recebido atendimento médico adequado dentro da unidade prisional. Com as conclusões apresentadas até o momento, a possibilidade de transferência para prisão domiciliar fica mais distante.
Após a divulgação do laudo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a defesa do ex-presidente e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o documento no prazo de cinco dias, podendo solicitar esclarecimentos ou complementações. Moraes também decidiu retirar o sigilo do relatório médico apresentado pela PF.