PF deflagra operação no Amapá por indícios de corrupção em recursos previdenciários ligados ao Banco Master
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Aportes de R$ 400 milhões são investigados; o Amapá é reduto eleitoral de Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), a operação “Zona Cinzenta” no Amapá para investigar possíveis irregularidades na gestão de recursos da previdência estadual. A ação foi autorizada pela Justiça Federal e apura a aplicação de cerca de R$ 400 milhões administrados pela Amapá Previdência (Amprev). O estado é base eleitoral do senador Davi Alcolumbre (União Brasil).
Segundo a PF, a investigação envolve investimentos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A. e, posteriormente, pelo Banco de Brasília (BRB). A apuração busca esclarecer possíveis crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta.
O foco está em decisões do Comitê de Investimentos da Amprev e da Diretoria Executiva do órgão. De acordo com documentos analisados, em menos de 20 dias, foram aprovadas e executadas três aplicações que somam cerca de R$ 400 milhões em títulos do Banco Master. As deliberações ocorreram em reuniões realizadas nos dias 12, 19 e 30 de julho de 2024.
A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o conselheiro da Amprev Jackson Rubens de Oliveira, o diretor-presidente do órgão, Jocildo Silva Lemos, e o ex-conselheiro José Milton Afonso Gonçalves. Gonçalves foi exonerado do cargo em dezembro de 2025 após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e já respondeu a ação penal relacionada a crimes contra o sistema financeiro, tendo sido inocentado em primeira instância, com processo ainda em andamento.
Em nota, a Amprev afirmou que se considera prejudicada por irregularidades atribuídas ao Banco Master e informou que já adotou medidas judiciais para buscar ressarcimento, incluindo bloqueio de pagamentos. O órgão destacou ainda que os investimentos no banco representavam 4,7% da carteira e afirmou que o patrimônio da instituição cresceu 41% entre 2023 e 2025, garantindo pagamentos a aposentados e pensionistas até 2059.
A defesa de Jocildo Lemos foi procurada, mas ainda não se manifestou. A reportagem também tenta contato com os advogados dos demais investigados. Já a assessoria do senador Davi Alcolumbre declarou confiar nas instituições e defendeu apuração transparente, com punição dos responsáveis, caso sejam confirmadas irregularidades.
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