Inflação sobe 0,84% em fevereiro com alta das mensalidades e passagens e fica acima do previsto
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Prévia da inflação oficial acelera no mês, surpreende o mercado e reforça cautela do Banco Central sobre corte de juros; educação e transportes lideram pressões
A prévia da inflação oficial do país avançou 0,84% em fevereiro, puxada principalmente pelo reajuste das mensalidades escolares e pelo aumento das passagens aéreas. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e ficou bem acima do que o mercado financeiro esperava.
O índice, chamado IPCA-15 — uma espécie de “termômetro” da inflação antes do dado fechado do mês — havia subido 0,2% em janeiro. Para fevereiro, analistas projetavam algo em torno de 0,57%, com estimativas variando entre 0,45% e 0,65%. O número oficial superou até o teto dessas previsões.
No acumulado de 12 meses, porém, houve desaceleração: a taxa passou de 4,5% até janeiro para 4,1% até fevereiro. Essa queda não significa necessariamente uma melhora recente mais forte, mas está ligada a uma questão de cálculo. Em fevereiro do ano passado, a inflação mensal tinha sido mais alta, de 1,23%. Como esse número saiu da conta anual e entrou o de 0,84% agora, o total em 12 meses perdeu força.
O impacto maior no bolso das famílias veio da educação. As mensalidades do ensino fundamental subiram 8,07% e tiveram o maior peso individual no índice. Também pesaram os reajustes do ensino médio, pré-escola, creche e ensino superior, refletindo os aumentos tradicionais no início do ano letivo. No total, o grupo educação avançou 5,2% no mês.
Em seguida, vieram os transportes, com alta de 1,72%. As passagens aéreas dispararam 11,64% e foram o segundo item que mais influenciou o índice. Também subiram a tarifa de ônibus urbano, 7,52%, e a gasolina, 1,3%. O combustível continuou pressionado mesmo após redução do preço nas refinarias anunciada pela Petrobras no fim de janeiro. Segundo o IBGE, a alta do imposto estadual sobre a gasolina no início do ano ajudou a manter os preços elevados nos postos.
Por outro lado, houve algum alívio na conta de luz, que caiu 1,37% em fevereiro, ajudando a conter um pouco o avanço geral dos preços. No grupo alimentação e bebidas, a alta foi mais moderada, de 0,2%. Dentro de casa, o tomate subiu mais de 10% e as carnes aumentaram 0,76%, enquanto arroz, frango em pedaços e frutas ficaram mais baratos.
Apesar do susto com o resultado acima do esperado, parte dos economistas avalia que a pressão se concentrou em itens que costumam oscilar bastante, como passagens aéreas e seguro de veículos. Ainda assim, o dado acende um sinal de alerta sobre o ritmo de desaceleração da inflação ao longo do ano.
O resultado também entra no radar do Banco Central do Brasil, que define a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. O mercado ainda aposta que os juros comecem a cair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para março, mas de forma gradual. A expectativa predominante é de um corte pequeno, de 0,25 ponto percentual.
A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e os investimentos e, com isso, tendem a diminuir a pressão sobre os preços. Por outro lado, também freiam a atividade econômica, que já mostra sinais de desaceleração.
A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, o índice pode variar entre 1,5% e 4,5%. Hoje, o acumulado de 4,1% está dentro desse intervalo.
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, que é a inflação oficial do país e serve de referência para o cumprimento da meta. A diferença principal está no período de coleta: o IPCA-15 considera os preços da segunda metade do mês anterior até a primeira metade do mês atual. Em fevereiro, os dados foram coletados de 15 de janeiro a 12 de fevereiro. O IPCA fechado do mês será divulgado em 12 de março.
Após a divulgação do índice, algumas consultorias revisaram suas projeções para a inflação de fevereiro, elevando as estimativas. Ainda assim, a previsão para o acumulado de 2026 segue próxima de 4%, abaixo do teto da meta, com a avaliação de que parte da alta recente — como a das passagens aéreas — pode ser revertida nos próximos meses.
Com informações da CNN / IBGE / Folha
Foto: ilustrativa – FreePik (gerada com IA)