Estudo aponta que alta do petróleo ampliaria arrecadação com exploração, impostos e dividendos da Petrobras, podendo gerar cerca de R$ 55 bilhões extras para a União
A valorização do petróleo no mercado internacional pode trazer um efeito direto nas contas públicas brasileiras em 2026. Caso o barril do petróleo tipo Brent crude oil permaneça próximo de 100 dólares ao longo do ano, o governo federal poderá receber cerca de R$ 55 bilhões adicionais em receitas, valor suficiente para eliminar o déficit primário previsto para o período.
A estimativa foi calculada por economistas do banco BTG Pactual. O estudo considera o câmbio em torno de R$ 5,20 por dólar e aponta que a maior parte desse dinheiro viria do aumento da arrecadação de royalties, participações especiais e impostos pagos pelas empresas que exploram petróleo no país. Royalties são compensações financeiras pagas ao governo pela exploração de recursos naturais, enquanto as participações especiais são cobranças adicionais aplicadas quando campos petrolíferos registram produção elevada e grande lucratividade.
Pelos cálculos da instituição financeira, cerca de R$ 44,1 bilhões adicionais poderiam vir dessas cobranças e tributos ligados à atividade petrolífera. Outro reforço importante viria dos lucros da Petrobras, empresa da qual o governo federal é o principal acionista. Com o petróleo mais caro no mercado internacional, a companhia tende a registrar resultados maiores e aumentar o pagamento de dividendos aos acionistas. Nesse cenário, o repasse de lucros ao governo poderia crescer aproximadamente R$ 9,5 bilhões.
Somadas, essas receitas extras poderiam compensar o déficit primário previsto para 2026. O resultado primário é a diferença entre tudo o que o governo arrecada e o que gasta para manter serviços públicos e programas em funcionamento, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Atualmente, a projeção considerada por analistas aponta para um saldo negativo em torno de R$ 50 bilhões nas contas federais, o equivalente a cerca de 0,4% do Produto Interno Bruto, indicador que mede toda a riqueza produzida no país. Esse cenário parte de uma estimativa mais conservadora, com o petróleo cotado próximo de 65 dólares por barril.
A recente pressão de alta no petróleo está ligada principalmente ao aumento das tensões no Oriente Médio, uma das regiões mais importantes para a produção mundial da commodity. Conflitos e ataques envolvendo países da região têm provocado receio de interrupções na oferta global, o que costuma elevar os preços no mercado internacional.
No caso do Brasil, a valorização do petróleo tem impacto direto nas finanças públicas porque o setor de óleo e gás é um dos grandes geradores de receitas para o Estado. Além de royalties e impostos, a atividade também garante dividendos pagos por empresas do setor e movimenta uma cadeia econômica que envolve investimentos, produção e exportações.
Apesar do possível alívio nas contas do governo, o petróleo mais caro também traz efeitos colaterais para a economia. O aumento do preço da commodity costuma pressionar o valor dos combustíveis, do transporte e de diversos produtos que dependem de logística. Esse movimento pode contribuir para a alta da inflação e reduzir o poder de compra das famílias.
Diante desse cenário, economistas alertam que a valorização do petróleo pode gerar pressão política por medidas de compensação, como redução de impostos ou subsídios para combustíveis. Caso isso ocorra, parte do ganho fiscal obtido com a alta da commodity pode acabar sendo reduzido pelo aumento de gastos públicos.