Alta do petróleo por tensão no Irã pressiona passagens aéreas e preocupa setor no Brasil
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Reajustes no querosene de aviação elevam custos das companhias e podem refletir nos preços de voos, afetando expansão e turismo
O aumento no preço do petróleo provocado pela tensão no Irã já começa a impactar o setor aéreo mundial e tende a encarecer as passagens no Brasil. O reajuste do querosene de aviação, combustível que representa entre 20% e 30% dos custos de uma companhia aérea, ocorre quase imediatamente após a alta do petróleo, pressionando despesas das empresas e refletindo nos preços cobrados dos passageiros.
Companhias internacionais, como a Scandinavian Airlines e a Qantas, já ajustaram tarifas em função da elevação do combustível, e em alguns mercados, como na Índia, os preços dos voos subiram cerca de 15%. Se essa tendência chegar ao Brasil, especialistas alertam que o aumento dos custos pode dificultar a expansão das companhias em um período de crescimento da demanda por voos.
Segundo Juliano Noman, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, o país transportou quase 130 milhões de passageiros no último ano, registrando recorde histórico. No entanto, a elevação do querosene de aviação, que é vendido em dólar e tem grande parte da oferta concentrada na Petrobras, responsável por mais de 80% do combustível no país, pode aumentar tarifas e até reduzir a abertura de novas rotas.
Alessandro Oliveira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, explica que qualquer oscilação no preço do petróleo tende a refletir rapidamente no valor do querosene e, consequentemente, nas passagens aéreas. O impacto pode ser ainda maior no Brasil devido à variação cambial, já que boa parte dos custos das empresas aéreas está atrelada ao dólar.
Com o combustível mais caro, o crescimento do setor e a oferta de voos, especialmente regionais, podem ser afetados. O turismo, por sua vez, já começa a sentir pressão nos custos das viagens, o que pode influenciar desde pacotes turísticos até o preço das passagens individuais, elevando os gastos do consumidor.
Com informações de: O Globo
Foto: © Daniel Basil/Gov Brasil/