Alerta no Sul de Minas: excesso de chuva deixa café vulnerável a doenças
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Mesmo com a pausa nas precipitações, produtores devem manter atenção redobrada
Os cafeicultores do Sul de Minas enfrentam um cenário delicado para as lavouras de café. Depois de um período intenso de chuvas, que ajudaram no enchimento dos grãos no início do ano, a região registra uma pausa nas precipitações nos últimos dias. Apesar disso, o excesso de umidade acumulada ainda deixa o solo encharcado e favorece o aparecimento de doenças causadas por fungos e bactérias.
Dados da Fundação Procafé, que monitora a chuva na Fazenda Experimental de Varginha, mostram que em janeiro choveu 306 milímetros e, até o momento, fevereiro registrou 106 milímetros. O volume de janeiro superou a média histórica do mês, acompanhada pela entidade desde 1974, embora não tenha sido recorde absoluto.
Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Ferreira Marques, supervisor do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar, o grande desafio deste período foi a distribuição das chuvas, que caíram quase todos os dias sem intervalo. “As condições climáticas impediram que os produtores realizassem o manejo das lavouras, seja de forma mecanizada ou manual. Mesmo com a chuva parando nos últimos dias, é preciso atenção, pois o solo continua úmido e os trabalhos, como a aplicação de defensivos, ainda dependem de períodos secos”, explica.

A combinação de manejo atrasado, temperaturas variando entre baixas e médias e a alta umidade cria o ambiente ideal para doenças fúngicas, como a Ferrugem, a Phoma e a Cercóspora, além da bactéria Mancha Aureolada. A situação já afeta lavouras do Sul e do Centro-Oeste de Minas Gerais, e Guilherme Marques estima que até 70% das plantações da região apresentem algum sinal de doença.
Os primeiros sintomas começaram a aparecer há cerca de 15 dias e preocupam pelo impacto que podem causar. A Ferrugem provoca manchas alaranjadas nas folhas, que caem precocemente, reduzindo a fotossíntese — o processo que gera energia para a planta — e deixando os frutos mais vulneráveis. A Phoma enrola as folhas e seca os ponteiros dos galhos.

Na região da Mantiqueira de Minas, a situação é semelhante. De acordo com Leandro de Freitas Santos, supervisor do ATeG em uma área que abrange 450 propriedades em 15 municípios, cerca de 60% das plantações apresentam sinais de Phoma e 30% de Ferrugem. “Mesmo com a chuva dando uma trégua, é momento de atenção. Monitorar as lavouras, tomar decisões técnicas corretas e agir preventivamente pode evitar que as doenças se espalhem e minimizar perdas. O solo ainda está úmido, e a vigilância é fundamental para proteger a produção”, alerta Leandro.
Com informações de Juliana Campos – Assessora de Comunicação Senar Faemg Varginha MG
Fotos: Juliana Campos