Carnaval do Rio: Acadêmicos de Niterói é rebaixada após apuração e desfile gera polêmica política
Natural de Governador Valadares (MG), iniciou sua trajetória no rádio...
Apesar de ter conquistado duas notas máximas no quesito samba-enredo, a escola terminou na última colocação e vai retornar à disputa da Série Ouro no ano que vem.

Foto: Riotur
A apuração do Carnaval do Rio confirmou o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, que havia desfilado na Marquês de Sapucaí com o enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo recebendo duas notas máximas no quesito samba-enredo, a agremiação somou 264,6 pontos e terminou na última colocação do Grupo Especial, retornando à Série Ouro no próximo ano. A diferença para a penúltima colocada, Mocidade Independente de Padre Miguel, foi de 2,8 pontos.
A campeã do Grupo Especial foi a Unidos do Viradouro, que participará do tradicional desfile das campeãs ao lado de Beija-Flor de Nilópolis, Vila Isabel, Acadêmicos do Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira, marcado para o próximo sábado (21).
O desfile da escola de Niterói ganhou repercussão política após críticas de opositores, que apontaram possível propaganda eleitoral antecipada e questionaram suposto uso de recursos privados e públicos. A agremiação recebeu apoio financeiro do governo federal por meio da Embratur, assim como outras escolas da elite do Carnaval carioca.
O enredo destacou a trajetória política e social de Lula, resgatando referências históricas, incluindo um jingle utilizado em campanhas passadas. Também houve representações que provocaram reação de adversários políticos e de segmentos religiosos, elevando o tom das discussões fora da avenida.
Para evitar interpretações eleitorais, o Palácio do Planalto restringiu a presença de ministros e aliados no desfile. A primeira-dama Janja Lula da Silva, que era esperada como destaque, desistiu da participação. Lula acompanhou as apresentações do camarote da Prefeitura do Rio e cumprimentou diferentes escolas na avenida, tentando evitar demonstrações de preferência.
Pela legislação eleitoral, o abuso de poder político ou econômico ocorre quando há uso indevido de cargo público ou recursos estatais para favorecer candidaturas. Já a propaganda eleitoral antecipada só se configura quando existe pedido explícito de voto ou expressões equivalentes.