China registra novo surto de febre aftosa e acende alerta global para o mercado da carne
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Doença atinge mais de 200 bovinos em duas regiões do país e envolve um tipo de vírus ainda inédito no território chinês, gerando preocupação com impactos nas exportações e nos preços do boi
A China confirmou um novo surto de febre aftosa que atingiu 219 bovinos em duas propriedades localizadas nas regiões de Xinjiang e Gansu, no noroeste do país. Os casos foram identificados oficialmente no fim de março de 2026 e envolvem um universo total de 6.229 animais expostos à doença, segundo informações divulgadas pelo próprio governo chinês.
De acordo com o Ministério da Agricultura da China, o foco foi detectado simultaneamente em rebanhos dessas duas regiões, o que levou à adoção imediata de medidas sanitárias rigorosas. Entre elas estão o abate dos animais infectados e daqueles que tiveram contato direto — prática conhecida como abate sanitário — além da desinfecção das áreas afetadas e restrições de circulação para evitar a propagação do vírus.
O principal fator de preocupação é que o surto foi causado pelo sorotipo SAT1 da febre aftosa, uma variante do vírus que, até então, não havia sido registrada no território chinês. Especialistas apontam que as vacinas atualmente utilizadas no país não oferecem proteção eficaz contra esse tipo específico, o que aumenta o risco de disseminação da doença entre os rebanhos.
A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que afeta animais de produção como bovinos, suínos e ovinos. Embora a taxa de mortalidade não seja necessariamente elevada, os prejuízos econômicos costumam ser significativos, já que a doença compromete a produtividade e leva a restrições sanitárias rigorosas no comércio internacional.
O episódio reacende o alerta no mercado global de carnes, especialmente porque a China é o maior importador mundial de carne bovina. Um surto desse tipo pode provocar mudanças nas compras externas, restrições comerciais e maior volatilidade nos preços internacionais, impactando diretamente países exportadores como o Brasil. Analistas do setor avaliam que o chamado “boi-China”, referência importante para o mercado pecuário, pode sofrer oscilações diante do risco sanitário e de eventuais ajustes nos estoques chineses.
As autoridades seguem monitorando o avanço da doença e reforçando as ações de contenção, enquanto o mercado internacional acompanha com atenção os desdobramentos do caso.
Fonte: Notícias Agrícolas / Reuters / CNN Agro
Foto: reprodução internet