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Agronegócio

Conflito no Oriente Médio faz fertilizantes dispararem até 13% e ameaça custo da próxima safra

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Tensão no Estreito de Ormuz pressiona oferta global de ureia, encarece importações na América do Norte e pode pesar no bolso do produtor rural

O agravamento do conflito no Oriente Médio já começa a impactar diretamente o preço dos fertilizantes no mercado internacional. A alta do petróleo e o risco de interrupção no transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz provocaram aumento nos valores da ureia, um dos principais adubos usados na agricultura, essencial para o desenvolvimento das lavouras.

Segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, o preço da ureia — fertilizante nitrogenado seco produzido, em geral, a partir do gás natural — subiu até 13% nos últimos dias. No Egito, importante produtor mundial, a tonelada passou da faixa entre 485 e 490 dólares para cerca de 550 dólares, de acordo com Chris Lawson, da consultoria CRU Group. A expectativa, segundo ele, é de novos aumentos.

O impacto também já aparece nas importações da América do Norte. De acordo com o analista Josh Linville, da empresa StoneX, houve elevação de aproximadamente 77 dólares por tonelada na região portuária próxima a Nova Orleans, levando o preço para 606 dólares.

A preocupação é global porque três dos dez maiores exportadores de ureia do mundo — Catar, Arábia Saudita e Irã — escoam seus produtos justamente pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do comércio internacional de energia e insumos. Qualquer ameaça de bloqueio ou interrupção no tráfego marítimo gera reação imediata nos preços.

O mercado de fertilizantes já enfrentava dificuldades antes mesmo da nova crise. A oferta vinha pressionada pela redução do gás natural barato da Rússia para fabricantes europeus, matéria-prima fundamental para a produção de adubos nitrogenados. Agora, com a tensão no Golfo Pérsico, a situação se agravou. “O mundo já estava com dificuldades no fornecimento de nitrogênio e acabou de sofrer um grande impacto, justamente no pior momento do ano”, afirmou Linville, referindo-se ao período que antecede o plantio em várias regiões agrícolas.

Ainda há carregamentos saindo do Golfo Pérsico com destino à região central da América do Norte. No entanto, o tempo médio entre o embarque e a chegada ao Meio-Oeste é de cerca de dois meses. Isso significa que, se houver fechamento prolongado do estreito, o fertilizante pode chegar tarde demais para ser utilizado nesta temporada de plantio.

Caso os preços continuem subindo, o insumo pode se tornar inacessível para muitos produtores rurais. Parte deles já projeta prejuízo na safra deste ano, e um novo aumento nos custos de produção tende a apertar ainda mais as margens, com possível reflexo nos preços dos alimentos nos próximos meses.

Com informações da Reuters e Portal Notícias Agrícolas

Foto: ilustrativa FreePik

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