A CPMI do INSS decidiu nesta quinta-feira (5) adiar a votação do pedido de quebra de sigilo bancário do Banco Master referente aos últimos dez anos. Segundo o presidente da comissão, a retirada de pauta foi acordada entre líderes da oposição e da base governista. Os requerimentos buscavam apurar possíveis irregularidades em empréstimos consignados.
De acordo com o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), o adiamento tem como objetivo adequar o marco temporal e delimitar melhor o foco das informações solicitadas. A expectativa é que os pedidos relacionados ao Banco Master retornem à pauta em 26 de fevereiro, quando o dono da instituição, Daniel Vorcaro, deverá prestar depoimento à CPMI. Inicialmente, ele seria ouvido nesta quinta, mas a defesa pediu o adiamento.
Também foi retirado da pauta um requerimento que solicitava à Anac dados sobre voos e passageiros de aeronaves ligadas à Viking Participações, empresa da qual Vorcaro é sócio-fundador. Em dezembro, a CPMI havia aprovado a convocação obrigatória do banqueiro e a quebra de seu sigilo, mas os dados foram retirados do alcance da comissão por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, que determinou sigilo e a custódia das informações pela presidência do Senado. Após negociações, Toffoli sinalizou que os dados poderão ser liberados após análise da Polícia Federal.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 em operação da PF que apurou fraude financeira estimada em R$ 12 bilhões envolvendo o Banco Master. Ele foi solto posteriormente por decisão do TRF, com uso de tornozeleira eletrônica, e o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição.
A CPMI também adiou a votação do pedido de prisão do ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do INSS do governo Lula 3, José Carlos Oliveira. Por outro lado, aprovou pedidos de prisões preventivas, restrição de saída do país, quebras de sigilo e relatórios financeiros de pessoas e empresas investigadas, além de solicitar à Febraban dados sobre fraudes em empréstimos consignados.
A comissão realizou nesta quinta a primeira reunião do ano e ouviu o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que afirmou que irá esclarecer a atuação do instituto no caso dos consignados e das devoluções de descontos irregulares.