Estados brasileiros encerram 2025 com contas no limite
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Gastos crescem mais que arrecadação mostrando finanças apertadas
A situação financeira dos estados voltou a se complicar em 2025, marcando o quarto ano seguido de desequilíbrio. O resultado fiscal — que indica quanto sobra de dinheiro depois de pagar todas as despesas — foi de apenas 0,04% do Produto Interno Bruto (PIB), o menor desde 2014, mostrando que sobra quase nada para investimentos ou imprevistos.
A desaceleração da economia reduziu a arrecadação do ICMS, principal imposto estadual, enquanto os gastos subiram 5,7% acima da inflação, superando o crescimento real de 3,4% das receitas. A arrecadação do ICMS avançou apenas 2,4% acima da inflação, refletindo a sensibilidade do imposto ao desempenho da economia e mudanças nas regras de cobrança.
Mesmo com um crescimento de 11% nos investimentos, que ainda representam menos de 10% do total de gastos, as despesas com pessoal — que ocupam quase metade do orçamento — avançaram 3,2%.
A renegociação das dívidas com a União pelo Programa de Apoio e Promoção da Gestão Fiscal (PROPAG) reduziu os juros reais a zero, abrindo espaço para gastar mais, mas sem resolver os problemas estruturais. Parte dos estados também se beneficiou de receitas financeiras temporárias, impulsionadas pela Selic em 15% ao ano, que não entram no cálculo do resultado oficial.
Economistas alertam que a desaceleração da arrecadação e a possível queda dessas receitas extraordinárias podem pressionar ainda mais os indicadores da Lei de Responsabilidade Fiscal nos próximos anos. Estados mais endividados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, responsáveis por cerca de 90% da dívida com a União, superior a R$ 800 bilhões, enfrentam os maiores riscos em um cenário de restrição fiscal.
Fonte: Poder 360 / CNN / UAI
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil