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Brasil

Famílias sufocadas pelas dívidas: parcela da renda comprometida atinge o maior nível em 20 anos no Brasil

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Percentual do orçamento usado para pagar contas e juros bate recorde histórico em janeiro, enquanto crédito cresce e juros seguem elevados, pressionando ainda mais o bolso do brasileiro

Está apertado! O peso das dívidas no bolso das famílias brasileiras atingiu um novo recorde e acendeu um sinal de alerta na economia. Em janeiro, 29,33% de toda a renda das famílias foi destinada ao pagamento de dívidas — o maior nível já registrado desde o início da série histórica, em 2005, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta segunda-feira (30). O índice supera, ainda que por margem mínima, o recorde anterior de outubro, quando o comprometimento era de 29,32%.

Na prática, isso significa que quase um terço de tudo o que as famílias ganham está sendo consumido por parcelas, financiamentos e contas atrasadas. Desse total, 10,48% da renda são usados apenas para pagar juros — ou seja, o custo do dinheiro emprestado —, o maior patamar em pelo menos duas décadas. Já outros 18,85% vão para quitar o valor principal das dívidas.

O nível de endividamento, que mede quantas famílias possuem algum tipo de dívida, ficou em 49,7% em janeiro. Embora estável no mês, o indicador cresceu ao longo do último ano, mostrando que mais brasileiros continuam recorrendo ao crédito para fechar as contas.

Outro dado que reforça a pressão sobre o consumidor é a inadimplência, que chegou a 6,9% em fevereiro — percentual que representa quem já não consegue pagar suas dívidas em dia.

O cenário fica ainda mais preocupante quando se olha para os juros cobrados. No caso do cartão de crédito rotativo — aquele acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura —, a taxa média disparou para 435,88% ao ano em fevereiro. Na prática, isso transforma pequenas dívidas em bolas de neve difíceis de controlar.

Mesmo com esse ambiente de juros elevados, o volume total de crédito no país continua crescendo. O saldo de empréstimos e financiamentos chegou a R$ 7,1 trilhões em fevereiro, com alta de 0,4% no mês. As famílias puxaram esse avanço, com crescimento de 0,6% e estoque de R$ 4,5 trilhões, enquanto o crédito para empresas ficou praticamente estável em R$ 2,7 trilhões.

Parte desse dinheiro vem de operações com recursos livres — aquelas negociadas diretamente com bancos, sem regras específicas — que somaram R$ 4,1 trilhões. Já o chamado crédito direcionado, que utiliza recursos com condições especiais definidas por governos ou instituições públicas, alcançou R$ 3,1 trilhões, com crescimento tanto no mês quanto no acumulado em 12 meses.

As taxas de juros seguem elevadas em todas as frentes. Para empresas, a média ficou em 24,9% ao ano. Já para as famílias, chegou a 62% ao ano, evidenciando o custo mais alto do crédito para pessoas físicas. Na média geral, considerando todos os empréstimos, os bancos cobraram 48,6% ao ano.

Outro indicador importante, o chamado spread bancário — que representa a diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram ao emprestar — atingiu 22,1 pontos percentuais, mostrando que a margem das instituições financeiras também aumentou.

O conjunto desses números revela um cenário de aperto crescente: famílias mais endividadas, juros elevados e maior dificuldade para manter as contas em dia, o que pode impactar diretamente o consumo e o ritmo da economia nos próximos meses.

Com informações da CNN e Banco Central

Foto: ilustrativa – Freepik

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