Frete no Brasil muda e passa a ter bloqueio automático abaixo do piso mínimo
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Nova medida exige código obrigatório antes da viagem e prevê multas de até R$ 10 milhões para empresas
Já estão em vigor em todo o país as novas regras para o transporte rodoviário de cargas, com mudanças que prometem impactar diretamente caminhoneiros, empresas e contratantes de frete. A principal novidade é a exigência do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) antes do início de qualquer viagem.
Na prática, isso significa que nenhum frete poderá ser realizado sem o registro prévio da operação. O objetivo é garantir o pagamento do piso mínimo do frete — uma espécie de valor base obrigatório — e impedir contratações irregulares já na origem.
A medida foi estabelecida por meio da Medida Provisória 1.343/2026 e tem prazo de até 60 dias para a plena adaptação do sistema.
Controle automático em todo o país
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o CIOT estará integrado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais, permitindo fiscalização automática e em larga escala.
O código reúne todas as informações da operação, como:
- contratante e transportador
- tipo de carga
- origem e destino
- valor do frete
- piso mínimo aplicável
Sem o CIOT, o transporte simplesmente não poderá acontecer.
Frete mínimo com reajuste automático
O ministro dos Transportes, Renan Filho, comparou a tabela de frete a um “salário mínimo” do setor. Segundo ele, não será permitido pagar valores abaixo do estabelecido, especialmente para proteger pequenos e médios transportadores.
Já o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, informou que o valor do frete poderá ser reajustado automaticamente sempre que o preço do diesel variar 5%, para cima ou para baixo.
A medida surge em meio à pressão dos caminhoneiros diante da alta do combustível, influenciada por tensões internacionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Multas pesadas e risco de suspensão
As penalidades para quem descumprir as novas regras são rigorosas:
- R$ 10,5 mil por operação sem CIOT
- Multas entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por frete abaixo do piso
- Suspensão do registro (RNTRC) após reincidência
- Cancelamento do registro e proibição de atuar por até 2 anos
Empresas também podem ser responsabilizadas de forma mais ampla, incluindo sócios e grupos econômicos, em casos de irregularidades graves.
Já os caminhoneiros autônomos não serão alvo das punições mais severas, como suspensão ou cancelamento do registro.
Mudança tenta evitar paralisações
O endurecimento das regras ocorre em um momento de tensão no setor, com ameaças de paralisação devido ao aumento do diesel. A expectativa do governo é que o novo sistema traga mais previsibilidade, evite abusos e reduza conflitos entre transportadores e contratantes.
Com informações da Agência Brasil
Foto: Agência Brasil © Márcio Ferreira/MT