Guerra no Irã pressiona mercado e combustíveis já começam a subir no Brasil
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Mesmo sem anúncio oficial da Petrobras, distribuidoras e refinarias privadas já repassam aumento de custos aos postos após alta do petróleo no mercado internacional
A escalada do conflito envolvendo o Irã já começa a refletir no bolso dos brasileiros com a pressão sobre os preços dos combustíveis. Mesmo sem anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras, distribuidoras e refinarias privadas iniciaram repasses de custos mais altos aos postos, acompanhando a valorização do petróleo e de seus derivados no mercado internacional.
O movimento ocorre porque parte do combustível consumido no Brasil é comprada no exterior. Quando o preço do petróleo sobe no mundo, o custo para importar gasolina e diesel também aumenta, pressionando o valor cobrado dentro do país. Segundo empresas do setor, foi exatamente isso que aconteceu após o agravamento do conflito no Oriente Médio, que elevou as cotações do petróleo.
A Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia e considerada a principal refinaria privada do Brasil, já realizou dois reajustes no preço do diesel e um na gasolina desde o início da tensão internacional. Esses aumentos acabam sendo repassados para distribuidoras e, posteriormente, para os postos de combustíveis.
Levantamentos do mercado indicam que postos em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná já estão pagando mais caro pelos combustíveis comprados das distribuidoras. A tendência é que esse aumento chegue ao consumidor final nos próximos dias. Proprietários de postos relatam que o custo de aquisição já subiu no início da semana, com o diesel ficando cerca de 26 centavos mais caro por litro em alguns casos.
As distribuidoras lembram que o Brasil ainda depende parcialmente da importação para abastecer o mercado interno. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, órgão responsável por regular e fiscalizar o setor, mostram que cerca de 27% de todo o diesel vendido no país em 2025 veio do exterior. Essa dependência torna o mercado brasileiro mais sensível às variações de preços internacionais.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis também alertou que a diferença entre os preços praticados no Brasil e os valores cobrados no mercado internacional chegou a níveis recordes. Segundo a entidade, um alinhamento maior entre esses preços seria necessário para evitar riscos de desabastecimento.
Enquanto isso, a Petrobras afirma que segue acompanhando o cenário global. A empresa costuma fazer ajustes nos combustíveis apenas quando o preço do petróleo se mantém por algum tempo em novos patamares no mercado internacional.
Nos últimos dias, o barril do petróleo do tipo Brent, referência usada no comércio mundial, chegou a subir cerca de 4%, aproximando-se dos 85 dólares. Esse avanço mantém a pressão sobre os combustíveis no Brasil e aumenta a possibilidade de novos reajustes caso o cenário internacional continue instável.
Com informações da CNN
Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil