Um estudo populacional realizado na Escócia reforça que a vacina contra o HPV garante proteção duradoura. A pesquisa acompanhou mais de 270 mil mulheres por até 12 anos após a imunização e identificou queda consistente das lesões cervicais de alto grau, alterações pré-cancerígenas ligadas ao desenvolvimento do câncer de colo do útero.
O HPV é o principal causador desse tipo de câncer, que ainda representa um desafio relevante para a saúde pública. No Brasil, a doença ocupa a terceira posição entre os cânceres mais frequentes em mulheres, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Além do rastreamento, a vacinação vem se consolidando como uma estratégia essencial de prevenção, reduzindo infecções e lesões que podem evoluir para a doença.
Publicado no International Journal of Cancer, o estudo aponta que a proteção é mais eficaz quando a vacina é aplicada na adolescência, especialmente entre 12 e 13 anos. Mulheres imunizadas nessa faixa etária apresentaram redução expressiva das lesões graves. Já a vacinação após os 18 anos não demonstrou o mesmo impacto em nível populacional, embora especialistas ressaltem que ainda pode trazer benefícios clínicos individuais.
Na Escócia, o esquema analisado incluiu três doses. No Brasil, desde 2024, o Ministério da Saúde recomenda dose única da vacina quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, medida adotada para ampliar a cobertura vacinal. Especialistas, no entanto, destacam a necessidade de monitoramento e estudos de longo prazo para avaliar os efeitos dessa mudança.
O país também ampliou campanhas de resgate voltadas a jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina no período indicado. A iniciativa busca alcançar milhões de adolescentes ainda desprotegidos e aumentar a cobertura, fundamental para gerar o chamado efeito rebanho.
Mesmo com o avanço da imunização, o rastreamento permanece indispensável. O Ministério da Saúde iniciou a incorporação do teste molecular de HPV no SUS, exame mais sensível que o papanicolau e que permite ampliar o intervalo entre avaliações quando o resultado é negativo, reduzindo procedimentos desnecessários e modernizando as estratégias de prevenção.