Margem de lucro de combustíveis dispara até 103% e pressiona bolso do consumidor
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Alta internacional do petróleo e cenário de incerteza elevam ganhos de distribuidoras e postos, enquanto governo intensifica fiscalização contra abusos
Distribuidoras e postos de combustíveis ampliaram significativamente suas margens de lucro no Brasil desde o início do ano, com aumentos que chegam a 103%, segundo dados do Ministério de Minas e Energia. O movimento acompanha a alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Na prática, a diferença entre o custo de compra e o preço final ao consumidor cresceu de forma expressiva. No caso da gasolina, o aumento da margem foi de quase 28%. Já o diesel S-10 registrou alta superior a 17%. O maior salto foi observado no diesel S-500, utilizado principalmente por veículos mais antigos, cuja margem mais que dobrou, ultrapassando 103%.
Esse cenário ganhou força em meio à volatilidade dos preços externos e às medidas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter o avanço dos combustíveis, como a redução de impostos e a concessão de subsídios — uma espécie de ajuda financeira para segurar os preços. Apesar disso, o impacto dessas ações tem sido parcialmente neutralizado ao longo da cadeia de distribuição.
Especialistas apontam que a elevação das margens não é recente. Estudos do Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sociais indicam que, desde 2021, os ganhos de distribuidoras e postos vêm crescendo acima da inflação. Em momentos de incerteza e risco de falta de produtos, o consumidor tende a aceitar preços mais altos para garantir o abastecimento, o que favorece esse movimento.
Por outro lado, representantes do setor negam a existência de abusos. Eles afirmam que o aumento das margens reflete custos mais elevados, como transporte, reajustes salariais e a alta no preço de combustíveis importados. Também argumentam que os valores praticados pela Petrobras estariam abaixo do mercado internacional, o que pressiona toda a cadeia.
A escalada dos preços preocupa o governo federal, que vê suas medidas de alívio perderem efeito. Diante disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis intensificou a fiscalização. Em uma operação recente, mais de 150 estabelecimentos foram vistoriados, com registros de autuações e até interdições por indícios de irregularidades e cobrança considerada abusiva.
Com regras mais rígidas, empresas flagradas em infrações podem sofrer multas que chegam a R$ 500 milhões. Enquanto isso, o consumidor segue sentindo no bolso o impacto de um mercado cada vez mais pressionado por fatores internacionais e disputas internas na formação de preços.
Com informações da CNN
Foto: Agência Brassil – acervo
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