Nova safra de trigo enfrenta desafios climáticos e pressão do mercado internacional
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Excesso de chuva no Sul e seca no Cerrado, junto a preços globais baixos, exigem atenção dos produtores brasileiros
O trigo brasileiro continua sendo peça-chave para o abastecimento interno, mas a produção nacional ainda não consegue atender toda a demanda. O país consome entre 12 e 13 milhões de toneladas por ano, enquanto colhe apenas cerca de 7 a 8 milhões, obrigando os moinhos a recorrer ao mercado externo, principalmente à Argentina.
No Sul, que concentra cerca de 85% da produção, com destaque para Rio Grande do Sul e Paraná, o problema não é falta de água, mas excesso dela. A alta umidade favorece a giberela, doença que ataca a espiga e compromete a qualidade do grão, dificultando que parte do trigo seja usado na indústria e até na alimentação de aves e suínos.
No Cerrado, que inclui estados como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, os desafios são outros: a seca e a brusone, doença fúngica que pode destruir a lavoura, limitam a expansão do trigo. Mesmo com irrigação e potencial de rendimento elevado, a cultura concorre com hortaliças, alho, cebola, batata e feijão, que oferecem retorno econômico maior. Por isso, o trigo muitas vezes é usado como estratégia de rotação de culturas para controlar pragas e melhorar a saúde do solo.
Além das questões climáticas e produtivas, os preços internacionais pesam na decisão de plantar. Com oferta global elevada e dólar abaixo de R$5,20, a importação se torna mais vantajosa que a produção local, pressionando as cotações domésticas.
Especialistas alertam que os produtores devem ficar atentos a três pontos: manejo climático, principalmente para controlar excesso de chuva e doenças no Sul; uso estratégico do trigo na rotação de culturas; e acompanhamento das bolsas internacionais e da paridade de importação, já que o preço do trigo no Brasil é influenciado pelo mercado global.
Entre clima, competição com outras culturas e influência do mercado internacional, o trigo segue essencial, mas desafiador. Para especialistas, a dificuldade do país em alinhar custos de produção e preços do mercado externo mantém o Brasil dependente de importações.
Fonte: Embrapa Trigo / Notícias Agricolas
Foto: ilustrativa Portal Embrapa