Passagens aéreas devem subir no Brasil após disparada do combustível dos aviões
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Reajuste de mais de 50% no querosene de aviação acompanha disparada do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio
O forte aumento no preço do querosene de aviação — combustível utilizado por aviões e helicópteros — pode provocar uma nova alta nas passagens aéreas no Brasil nos próximos meses. O impacto ocorre depois que a Petrobras anunciou um reajuste de cerca de 55% no valor do combustível vendido às distribuidoras a partir de abril.
O aumento acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional, influenciada pelas tensões e confrontos no Oriente Médio. Desde o início do conflito, o barril de petróleo saiu de cerca de 70 dólares para valores acima de 100 dólares no mercado global, pressionando os preços de combustíveis em vários países.
O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. Dados do setor indicam que o combustível normalmente representa perto de um terço das despesas de operação das empresas e, após os reajustes recentes, pode chegar a cerca de 45% do total.
Quando o combustível sobe, as companhias costumam ter poucas alternativas para equilibrar as contas. Entre as medidas mais comuns estão o reajuste no preço das passagens, a redução de rotas menos lucrativas e o ajuste na oferta de voos. Em alguns casos, empresas também podem limitar a expansão de operações para conter custos.
Embora grande parte do querosene de aviação consumido no país seja produzido internamente, o preço do produto segue a cotação internacional do petróleo. Isso faz com que crises externas, como conflitos em regiões produtoras de energia, tenham reflexos diretos no mercado brasileiro.
Para evitar um impacto imediato ainda maior, a Petrobras anunciou um mecanismo para suavizar o reajuste. Em vez de aplicar toda a alta de uma vez, as distribuidoras poderão pagar inicialmente cerca de 18% de aumento em abril e parcelar o restante em até seis prestações a partir de julho.
Diante da pressão sobre o setor aéreo, o governo federal também discute medidas para reduzir o impacto da alta do combustível. Entre as alternativas em análise estão a redução temporária de impostos sobre o querosene de aviação e outras medidas voltadas a diminuir os custos das companhias e evitar aumentos mais fortes nas passagens.
Mesmo com essas tentativas de contenção, o cenário internacional ainda é considerado incerto. Enquanto o preço do petróleo continuar elevado no mercado mundial, o transporte aéreo deve seguir pressionado, com reflexos tanto para as empresas quanto para os passageiros.
Com informações de O Globo / G1 / Agência Brasil e CNN
Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo