A Polícia Federal identificou possíveis sinais de vazamento de informações durante a segunda fase da operação que investiga o caso envolvendo o Banco Master, realizada em janeiro de 2025. Na ocasião, os agentes saíram às ruas para cumprir 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, incluindo Minas Gerais. As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
A etapa da operação, chamada “Compliance Zero”, buscava aprofundar apurações sobre suspeitas de manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Entre os investigados estavam o ex-presidente do banco, Daniel Vorcaro, além de familiares e empresários ligados ao grupo, como Fabiano Zettel, Felipe Vorcaro e Nelson Tanure.
Durante as diligências, situações consideradas atípicas chamaram a atenção dos investigadores. Em Trancoso (BA), a PF precisou forçar a entrada em uma residência atribuída a Vorcaro, onde havia segurança privada armada. Um advogado já aguardava no local antes mesmo da chegada dos agentes, o que levantou suspeitas. A defesa, no entanto, nega qualquer irregularidade e afirma que não houve resistência.
Ainda na mesma região, outro alvo não foi encontrado em casa, apesar de indícios de saída recente, como ambiente climatizado e objetos pessoais fora do lugar. Em outros endereços, os policiais relataram ter encontrado imóveis parcialmente esvaziados, sem itens de valor ou dispositivos eletrônicos — o que reforçou a hipótese de que os investigados teriam sido alertados previamente.
No Rio de Janeiro, um apartamento ligado a Nelson Tanure também apresentava sinais de retirada de bens antes da chegada da PF. Já em Belo Horizonte, agentes encontraram uma residência vazia, com objetos fora de ordem e armamentos armazenados, incluindo uma arma carregada fora de local seguro.
Em outro ponto, suspeitos de ligação com o esquema foram localizados apenas por meio de seguranças que se identificaram como policiais militares à paisana. No local, foram apreendidas armas e munições de diferentes calibres.
Entre os alvos, um dos poucos encontrados em casa foi um diretor de empresa investigada, que foi localizado após insistência dos agentes para conseguir acesso ao imóvel.
Diante do conjunto de situações — como dificuldades para localizar investigados, residências reviradas e ausência de itens relevantes — a Polícia Federal passou a considerar a possibilidade de vazamento de informações sobre a operação, o que pode ter comprometido parte das ações.