Preço do café cai e produtores enfrentam incertezas por guerra e juros altos
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Mesmo com valores ainda atrativos, cafeicultores vivem desafios na safra 2026, entre efeitos do conflito no Oriente Médio e custo elevado do dinheiro
Em uma safra em que os preços do café estão abaixo dos registrados no ano passado, mas ainda compensam o trabalho no campo, produtores de Minas Gerais e São Paulo convivem com preocupações ligadas à guerra no Irã e às altas taxas de juros. O tema foi debatido durante uma das maiores feiras do setor, realizada pela Cooxupé, em Guaxupé (MG), entre quarta-feira (18) e sexta-feira (20).
Atualmente, a saca de 60 quilos de café varia entre R$ 1.500 e R$ 1.950, dependendo da região, bem abaixo dos R$ 2.595 que eram pagos há um ano, já ajustados pela inflação. Apesar da queda, os valores ainda são considerados bons para manter a atividade sem endividamento, especialmente diante da taxa de juros de 14,75% ao ano, um dos maiores custos enfrentados pelos produtores.
“O café a R$ 1.500, R$ 1.800, para pagar a conta, é, sem dúvida nenhuma, um bom nível de preço. Hoje, nosso mercado está bem distante do que sonhávamos com US$ 100 a saca, mas ainda assim permite que o setor sobreviva”, disse o produtor Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, de Nova Resende (MG).
A cooperativa estima embarcar 4,4 milhões de sacas nesta safra, cerca de 400 mil a menos do que em 2025, mas espera que o volume aumente nos últimos meses do ano, gerando um cenário mais positivo para 2027. Nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 5,41 milhões de sacas, uma queda de 27,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A safra de 2025, com preços mais altos, havia impulsionado investimentos e registrado aumento de furtos em propriedades rurais. Mesmo assim, a Cooxupé anunciou faturamento recorde em 2024: R$ 10,7 bilhões, 67% acima do ano anterior, e distribuiu R$ 134,4 milhões em sobras aos cooperados, a maior quantia já registrada.
O presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, alertou durante a feira que a guerra no Oriente Médio afeta tanto a importação de insumos — como fertilizantes, especialmente nitratos vindos do Irã — quanto a exportação de café, mas afirmou que a demanda global deve continuar aquecida.
Segundo os produtores, o clima é o fator que oferece maior tranquilidade neste momento. Chuvas bem distribuídas e temperaturas amenas em todas as regiões produtoras garantem lavouras mais saudáveis e uma safra promissora, caso as previsões se mantenham. “Se o clima continuar bom, deveremos ter uma safra de qualidade e produtores com condição de aproveitar bem o mercado”, completou Bachião Filho.
Com informações da Cooxupé e Notícias Agrícolas
Foto: ilustrativa – Luis Santana acervo ALMG