Quase 60% dos brasileiros já deixaram de ir ao médico por não conseguir pagar plano de saúde
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Relatório internacional revela que o custo dos planos empresariais afasta trabalhadores de consultas e exames; no Brasil, índice supera a média mundial e acende alerta nas empresas
O aumento no valor dos planos de saúde oferecidos pelas empresas já está impactando diretamente o acesso dos trabalhadores a consultas e exames. No Brasil, 59,2% dos entrevistados afirmaram que deixaram de buscar atendimento médico por causa dos custos, como valores pagos do próprio bolso a cada consulta, exame ou procedimento — prática conhecida como coparticipação. No mundo, esse índice é de 54,2%.
Os dados fazem parte do Relatório Global sobre Saúde Corporativa 2026, elaborado pela Howden, consultoria internacional especializada em seguros e benefícios corporativos. A pesquisa ouviu 442 empregadores em diversos países, sendo 27 brasileiros, além de 1.460 trabalhadores.
De acordo com o levantamento, o aumento da cobrança de parte dos custos diretamente ao funcionário tem sido uma estratégia das operadoras de planos para tentar equilibrar as contas e controlar o uso dos serviços médicos. No entanto, essa medida tem provocado um efeito colateral preocupante: pessoas deixam de procurar atendimento por não conseguirem arcar com as despesas.
O cenário tende a continuar pressionado. O estudo mostra que 93% dos empregadores globais esperam novo aumento nas despesas com saúde em 2026, o que indica a possibilidade de mais reajustes e revisões nos contratos empresariais.
A pesquisa também chama atenção para a saúde mental. Quase metade dos trabalhadores, 49%, afirmou ter buscado apoio no último ano. Mesmo assim, 16% disseram ter receio de utilizar serviços oferecidos pelas próprias empresas por medo de exposição ou de prejuízo à carreira.
Apesar dos desafios, o plano de saúde continua sendo um dos benefícios mais valorizados no mercado de trabalho. Para 78% dos entrevistados no Brasil, ele é decisivo tanto para atrair quanto para manter profissionais nas empresas. Outros 63% afirmam que permaneceriam mais tempo em companhias que oferecem boa cobertura médica. Além disso, 80% dos brasileiros acreditam que um plano de qualidade aumenta significativamente a produtividade, especialmente diante das dificuldades de acesso à rede pública de saúde.
O relatório aponta, portanto, um cenário de equilíbrio delicado: enquanto os custos sobem e pressionam empresas e trabalhadores, o plano de saúde segue como peça estratégica na gestão de pessoas e um diferencial competitivo na disputa por talentos.
Com informações do Valor Econômico
Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil