Trump recua em sanções ao Irã e libera petróleo retido no mar para frear disparada dos preços
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Decisão temporária dos Estados Unidos permite a venda de milhões de barris já armazenados em navios e tenta conter o impacto da crise no Oriente Médio sobre combustíveis e economia
O governo do presidente Donald Trump decidiu suspender temporariamente parte das sanções contra o petróleo do Irã em uma tentativa direta de conter a alta dos preços no mercado internacional. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (20) pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.
Na prática, os Estados Unidos autorizaram a venda de petróleo iraniano que já está armazenado em navios no mar, ou seja, cargas que estavam prontas, mas impedidas de chegar ao mercado por causa das sanções econômicas. Segundo o governo americano, essa liberação é pontual, com duração limitada, e não inclui a produção de novos barris nem novas negociações.
De acordo com Bessent, a medida pode colocar rapidamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo à disposição do mercado global, aumentando a oferta de energia e ajudando a aliviar a pressão provocada pela crise atual. Mesmo assim, ele reforçou que o país continuará pressionando o Irã, especialmente dificultando o acesso do governo iraniano ao dinheiro gerado com essas vendas.
A decisão ocorre em meio à forte alta do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. Os preços chegaram a cerca de 120 dólares por barril — o maior patamar desde 2022 — e, embora tenham recuado, ainda permanecem acima dos 100 dólares, o que é considerado elevado.
Um dos principais motivos para essa disparada foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. A região é responsável por cerca de 20% de todo o consumo global da commodity e também tem papel central no comércio de gás natural. Nas últimas semanas, o tráfego de navios caiu significativamente após o Irã anunciar restrições na área e realizar ataques a petroleiros.
O aumento do preço do petróleo afeta diretamente o valor de combustíveis como gasolina e diesel e acaba encarecendo diversos produtos, já que o transporte fica mais caro. Nos Estados Unidos, esse impacto preocupa o governo, especialmente por causa das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
Essa não é a primeira medida do tipo adotada recentemente. Na semana passada, os Estados Unidos já haviam liberado, também de forma temporária, a venda de petróleo da Rússia que estava parado em navios. A autorização vale para cargas embarcadas antes de 12 de março e pode colocar cerca de 100 milhões de barris adicionais no mercado, segundo autoridades russas.
Com essas ações, o governo americano tenta ganhar tempo e reduzir a pressão sobre os preços da energia, sem abandonar completamente as sanções que continuam sendo usadas como ferramenta de pressão política e econômica.
Com informações do jornal O GLOBO
Foto: FreePik ilustrativa