Varejo brasileiro surpreende no início de 2026 e começa o ano em alta
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Em janeiro, vendas no comércio superam expectativas, impulsionadas por crédito em alta e inflação mais baixa, apesar de juros elevados e cenário externo desafiador
As vendas no varejo do Brasil começaram 2026 com desempenho acima do esperado, revertendo a retração do fim do ano passado e sinalizando que o consumo das famílias ainda se mantém resiliente.
Dados divulgados nesta quarta‑feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em janeiro, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,4% na comparação com dezembro, quando havia registrado contração de 0,4%. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o avanço foi mais forte, de 2,8% — bem acima do que projetavam economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam pequena queda mensal e crescimento anual mais moderado.
Apesar de a variação mensal parecer modesta, especialistas destacam que janeiro alcançou o nível mais alto da série histórica, igualando o volume de novembro de 2025, um movimento incomum para o início do ano, quando normalmente há retração após o período de festas e promoções. Esse comportamento surpreendeu analistas porque veio em meio a um cenário de juros elevados, que tendem a frear o consumo.
Pesquisadores do IBGE apontam que setores como artigos farmacêuticos e de perfumaria, vestuário e calçados, produtos de uso pessoal e supermercados foram responsáveis por boa parte do crescimento. Em contrapartida, segmentos como equipamentos de informática e comunicação, livros e papelaria e combustíveis mostraram desempenho negativo ou estagnado, refletindo a diversidade de ritmos dentro do varejo.
O resultado positivo do varejo ocorre em um momento em que a economia brasileira mostra sinais de desaceleração geral: o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de toda a riqueza produzida no país, cresceu apenas 0,1% no último trimestre de 2025 e fechou o ano com alta de 2,3%, segundo estatísticas oficiais, o ritmo mais fraco desde o início da pandemia. Esse contexto reforça que o consumo das famílias — principal motor do varejo — segue como um dos pilares que sustentam a atividade econômica, mesmo sob pressão de juros altos e incertezas no cenário internacional.
Especialistas também lembram que o Banco Central tem mantido a taxa básica de juros em 15%, o patamar mais alto em quase duas décadas, na tentativa de controlar a inflação. A inflação medida em 2025 encerrou o ano dentro da meta do governo, o que aumenta a expectativa de cortes nas taxas de juros ao longo de 2026. Tanto isso é considerado pelos mercados que já projetam reduções nos próximos meses, apesar dos efeitos ainda se refletirem de forma gradual no consumo.
A pesquisa do IBGE mostra ainda que, quando se amplia a análise para o chamado varejo ampliado — que inclui comércio de veículos, material de construção e até o atacado de alimentos — a alta de janeiro foi ainda maior, de cerca de 0,9% sobre dezembro e 1,1% em relação a janeiro de 2025, reforçando a ideia de que o desempenho do setor tem sido mais generalizado do que parecia à primeira vista.
Com esses dados, o varejo brasileiro sinaliza que o início de 2026 pode ser mais vigoroso do que se imaginava, colocando em xeque a narrativa de que o consumo estaria arrefecendo rapidamente. No entanto, especialistas alertam que a tendência de crescimento ainda é tênue e que fatores como o nível das taxas de juros, a renda das famílias e as condições externas continuarão a influenciar fortemente o ritmo das vendas nos próximos meses.
Com informações da CNN e Agência Brasil
Foto: © Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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