Brasil

Varejo cresce em 2025, mas perde ritmo e fecha dezembro com maior queda do ano

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Resultado acumulado de 1,6% ficou bem abaixo de 2024, e retração no último mês foi influenciada pela antecipação das compras de Natal durante a Black Friday

 

As vendas do comércio varejista brasileiro avançaram 1,6% em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pelo IBGE. Apesar do crescimento, o desempenho mostrou desaceleração em relação a 2024, quando o setor havia registrado alta de 4,1%. Em dezembro, as vendas recuaram 0,4% frente a novembro, no pior resultado mensal do ano.

O desempenho anual voltou a patamares mais próximos dos anos anteriores, após o resultado atípico de 2024. No quarto trimestre, o varejo registrou alta de 1% sobre os três meses anteriores, recuperando-se da queda de 0,3% observada no terceiro trimestre.

A retração de 0,4% em dezembro interrompeu dois meses seguidos de crescimento e ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam queda de 0,2%. Na comparação com dezembro de 2024, houve alta de 2,3%, também inferior à previsão de 2,5%.

De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, a antecipação das compras de Natal durante a Black Friday ajudou a explicar o resultado mais fraco no último mês do ano. Em novembro, as vendas haviam crescido 1,0%.

Ao longo de 2025, a política monetária restritiva pesou sobre o consumo. Mesmo com o mercado de trabalho aquecido e a renda em alta, o setor registrou desempenho fraco durante boa parte do ano, com seis quedas mensais. Segmentos mais dependentes de crédito, como veículos, móveis e eletrodomésticos, foram os mais afetados pela taxa Selic elevada.

No mês passado, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15%, mas indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes a partir de março.

Entre os segmentos que sustentaram o crescimento anual, destacaram-se os artigos farmacêuticos (4,5%), móveis e eletrodomésticos (4,5%) e equipamentos de informática e comunicação (4,1%). Segundo Santos, este último foi beneficiado pela valorização do real frente ao dólar, que favoreceu a venda de eletrônicos importados, como celulares e laptops.

Já em dezembro, seis das oito atividades pesquisadas apresentaram queda em relação a novembro. Os principais recuos ocorreram nos setores de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-5,1%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,0%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%).

Os resultados positivos no mês vieram de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,0%) e combustíveis e lubrificantes (0,3%).

Para o economista Leonardo Costa, do ASA, os dados confirmam a perda de fôlego no fim de 2025. Segundo ele, segmentos ligados a bens duráveis e consumo discricionário mostraram maior volatilidade, enquanto parte do consumo essencial perdeu tração, indicando um ambiente de demanda mais contido na virada para 2026.

No varejo ampliado — que inclui veículos, material de construção e o atacado de alimentos, bebidas e fumo — houve queda de 1,2% em dezembro frente ao mês anterior. No acumulado de 2025, o crescimento foi de apenas 0,1%, bem abaixo da expansão de 3,7% registrada em 2024.

Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelas perdas em setores relevantes, como a revenda de veículos e o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, que registrou queda na distribuição de cereais e leguminosas, produtos normalmente comercializados nas Ceasas.

Com informações do IBGE / Reuters

Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil

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