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Agronegócio

Preço do leite no campo dispara até 20% em março e acende alerta sobre impacto no consumidor

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Menor oferta de leite nesta época do ano faz indústrias disputarem produto, aumenta remuneração do produtor e pode pressionar preço de derivados nas prateleiras nos próximos meses

 

O preço do litro de leite pago ao produtor rural voltou a subir com força no Brasil em março, em meio ao fenômeno clássico no setor chamado entressafra — período do ano em que a produção de leite naturalmente cai e a oferta diminui no campo. Levantamento da Scot Consultoria, empresa especializada em análise de mercado agropecuário, mostra que entre o fim de fevereiro e a primeira metade de março o valor médio do litro de leite avançou cerca de 20%, o que significa um ganho de quase 50 centavos por litro, fixando a média em R$ 2,92 nas regiões onde o levantamento foi feito.

Esse movimento de valorização foi observado em estados importantes para a produção leiteira no país, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, onde o preço subiu de forma consistente nas últimas semanas.

A principal razão para esse salto é a redução natural da produção no campo nesta época do ano, quando as pastagens e as condições de alimentação das vacas tendem a ser menos favoráveis, levando a uma menor quantidade de leite disponível para venda. Com isso, as indústrias que transformam o leite em derivados — como leite longa vida, queijos e iogurtes — precisam disputar mais o produto para manter suas fábricas funcionando, elevando o preço que pagam ao produtor. Produtores e analistas explicam que essa pressão da demanda sobre uma oferta menor é o que está impulsionando a alta agora.

No Rio Grande do Sul, a alta projetada para março chegou a ser ainda mais acentuada, com estimativas de valorização próxima a 25% em comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados por entidades locais que acompanham os preços.

Apesar de essa alta beneficiar diretamente o bolso do produtor rural — que recebe mais por litro entregue — ela traz preocupações para os consumidores e para a indústria de alimentos. Com o leite mais caro no campo, os especialistas alertam que esse custo adicional pode se refletir nos preços finais dos produtos lácteos nas prateleiras nos próximos meses, contribuindo para aumentar o custo da cesta básica em um momento em que outros alimentos também estão pressionando a inflação.

O cenário reforça a volatilidade histórica dos preços do setor leiteiro no Brasil, que já passou por períodos de queda e de alta ao longo dos últimos meses, dependendo da oferta no campo, custos de produção, clima e dinâmica de mercado entre produtores e indústrias.

Em resumo, quem produz leite vê uma melhora na remuneração com a alta, mas famílias brasileiras e fabricantes de produtos lácteos devem ficar de olho: o custo maior no campo tende a terminar nos preços finais ao consumidor nas próximas semanas se a entressafra persistir.

Com informações do: Notícias Agrícolas – CNN – Milk Point e Cepea

Foto: ilustrativa

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