China bloqueia novos frigoríficos brasileiros por três anos e gera dúvidas sobre oferta de carne
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Medida anunciada por assessor do Ministério da Agricultura limita entrada de novos exportadores e mantém cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para o país asiático em 2026. Setor privado questiona a decisão e espera regulamentação do governo
A China comunicou que não vai autorizar novos frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina durante os próximos três anos. A informação foi dada por Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Ministério da Agricultura, após questionamentos sobre a distribuição da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne destinada ao país asiático em 2026. Segundo o assessor, como não haverá novos frigoríficos habilitados, não é necessário criar uma reserva técnica da cota brasileira.
A decisão ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades chinesas e gera divergências no setor privado. Empresários e representantes de frigoríficos afirmam que não receberam comunicação direta e mantêm a expectativa de que novas habilitações possam ocorrer ainda este ano, com o objetivo de aumentar a concorrência no mercado de exportação.
O governo brasileiro também trabalha na regulamentação da cota, de forma que a distribuição seja clara e transparente, evitando riscos de questionamentos legais por formação de cartel, que é a prática de combinar preços ou limitar concorrência de maneira ilegal. Uma reunião extraordinária do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior está marcada para sexta-feira, 27, para discutir detalhes dessa regulamentação.
Além disso, o Brasil tenta convencer a China a contabilizar fora da cota as cargas que saíram em dezembro de 2025, mas especialistas afirmam que o efeito do pedido deve ser limitado. No país asiático, a contagem considera apenas o que chega ao porto, enquanto no Brasil o cálculo é feito pelo que sai do frigorífico, gerando uma diferença de cerca de 300 mil toneladas.
Apesar dessas incertezas, o mercado de carne brasileira para a China deve continuar com preços elevados. Os cortes enviados para o país asiático têm dificuldade de encontrar compradores em outros mercados, o que limita a oferta. Ao mesmo tempo, a demanda global por carne segue aquecida, com destaque para os Estados Unidos, pressionando ainda mais os preços e a concorrência.
Com informações do Estadão Agro
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil