Alimentos mais caros pesam no bolso e ampliam percepção de crise econômica no Brasil
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros sentiu alta nos preços, enquanto inflação segue acima da meta e pressões externas agravam cenário
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Genial/Quaest revela que o aumento no preço dos alimentos tem sido sentido de forma intensa pela população brasileira. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados afirmam que perceberam alta nos preços no último ano, um avanço expressivo em relação aos 59% registrados em março, indicando que o custo de vida continua pressionando o orçamento das famílias.
Enquanto a maioria aponta encarecimento, apenas 8% dizem ter notado queda nos preços dos alimentos. Outros 18% avaliam que os valores permaneceram estáveis. O resultado reforça a sensação generalizada de que fazer compras no dia a dia ficou mais caro, especialmente quando se trata de itens básicos.
Esse cenário traz desafios adicionais para o governo na condução da economia. A inflação, que é o aumento generalizado dos preços, deve encerrar 2026 acima da meta estabelecida. De acordo com o Boletim Focus, a previsão é de que o IPCA — indicador que mede a variação de preços no país — feche o ano em 4,71%.
Além de fatores internos, questões internacionais também ajudam a explicar a alta nos preços. Conflitos no Oriente Médio têm elevado o valor do petróleo no mercado global. Isso impacta diretamente o diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias, o que acaba gerando um efeito em cadeia e encarecendo alimentos e outros produtos.
A percepção negativa vai além do supermercado. Metade dos brasileiros acredita que a situação econômica do país piorou no último ano, refletindo insegurança em relação ao cenário atual. Empresas também enfrentam dificuldades, pressionadas por juros elevados — ou seja, o custo para pegar empréstimos está mais alto — o que limita o acesso ao crédito e aumenta despesas. Esse ambiente tem contribuído para o crescimento dos pedidos de recuperação judicial, mecanismo usado por empresas para tentar reorganizar dívidas e evitar a falência.
Diante desse quadro, especialistas defendem a adoção de medidas estruturais, como a redução dos gastos públicos e o chamado ajuste fiscal, que é o controle das contas do governo para equilibrar receitas e despesas. A avaliação é de que essas ações são fundamentais para conter a inflação, melhorar a confiança na economia e reduzir os impactos no bolso dos brasileiros.
Com informações da CNN e Portal UAI
Foto: ilustrativa – © Marcelo Camargo/Agência Brasil