Alta do petróleo amplia diferença de preços e gasolina já está 17% abaixo do mercado internacional; diesel chega a 23%
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Escalada do conflito no Oriente Médio faz barril disparar, pressiona combustíveis no Brasil e coloca a Petrobras diante de decisão sobre reajuste
A disparada do preço do petróleo no mercado internacional, provocada pela intensificação do conflito no Oriente Médio, ampliou a diferença entre os valores praticados no Brasil e as cotações externas. Com o barril em forte alta, a gasolina vendida nas refinarias da Petrobras está, em média, 17% abaixo do preço internacional, enquanto o diesel apresenta defasagem ainda maior, de 23%. Mesmo assim, a estatal deve agir com cautela e não sinaliza reajuste imediato.
A tensão aumentou após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e a contraofensiva de Teerã. O mercado reagiu rapidamente: o barril do petróleo chegou a subir 13%, superando os 82 dólares. Mais tarde, após declaração do presidente Donald Trump indicando que pode suspender sanções ao Irã caso o novo governo iraniano mude de postura, o ritmo de alta perdeu força. Por volta das 11h, o avanço era de 8,55%, com o barril cotado a 79 dólares e 11 centavos.
O principal ponto de preocupação é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente passa por ali. Qualquer risco de bloqueio ou interrupção na região provoca reação imediata nos preços internacionais.
Com a alta lá fora, cresce a pressão para reajuste no Brasil. A diferença ocorre porque o combustível vendido nas refinarias da Petrobras está mais barato do que o valor que seria praticado se acompanhasse diretamente o mercado internacional. Quando essa distância aumenta, a tendência é de correção nos preços internos, principalmente se o petróleo continuar em alta.
Apesar disso, fontes do alto escalão da companhia afirmam que o momento é de forte instabilidade e volatilidade, ou seja, de oscilações intensas em curtos períodos. A orientação interna é aguardar pelo menos duas semanas para observar o comportamento do barril antes de qualquer decisão. Até esta segunda-feira, não há indicação de aumento imediato, diante do cenário considerado de muita incerteza.
O último reajuste da gasolina feito pela Petrobras entrou em vigor em 27 de janeiro, quando a empresa reduziu o preço médio nas refinarias em 5,2%. O litro passou a custar 2 reais e 57 centavos, uma queda de 14 centavos. Na ocasião, o diesel não sofreu alteração.
Agora, a maior pressão recai justamente sobre o diesel. Desde o início de fevereiro, o combustível apresenta defasagem diária em relação ao mercado internacional, indicando tendência de aumento caso os preços externos permaneçam elevados. Como o diesel é essencial para o transporte de cargas e alimentos, qualquer reajuste pode ter impacto direto nos custos e, consequentemente, no bolso do consumidor.
Com informações do G1 – CNN e UOL
Foto: © José Cruz/Agência Brasil