Demissões por justa causa batem recorde no Brasil em meio a mercado de trabalho aquecido
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Número de desligamentos por comportamento inadequado ou descumprimento de regras atinge maior nível desde o início da série histórica, segundo levantamento nacional, em cenário de baixa taxa de desemprego, maior rotatividade e mudanças no comportamento de empresas e trabalhadores
O Brasil registrou um recorde de demissões por justa causa nos últimos anos, em um momento em que o mercado de trabalho segue aquecido e com forte movimentação de contratações e trocas de emprego. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, sistema do governo que reúne informações sobre admissões e demissões formais no país, foram cerca de 639 mil desligamentos por justa causa nos 12 meses até dezembro de 2025, o que representa 2,6% de todas as demissões registradas no período — o maior percentual desde o início da série histórica, em 2004.
Para efeito de comparação, em 2019 esse tipo de desligamento somava 216 mil casos, o que mostra um crescimento expressivo após a pandemia. Especialistas avaliam que esse aumento está ligado, principalmente, ao aquecimento do mercado de trabalho, que tem ampliado tanto as contratações quanto a rotatividade entre empregos.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego no país chegou a 5,4%, um dos níveis mais baixos já registrados. Com mais vagas disponíveis e dificuldade de contratação em diversos setores, empresas passaram a admitir trabalhadores com menos experiência ou em maior volume, o que, em alguns casos, pode resultar em falhas no desempenho e em desligamentos por justa causa.
Ao mesmo tempo, o cenário também mudou o comportamento dos trabalhadores. Com mais oportunidades, muitos profissionais passaram a se sentir mais seguros para trocar de emprego ou assumir riscos na carreira, o que elevou também os pedidos de demissão voluntária, que somaram cerca de 9 milhões no período, indicando um mercado com alta rotatividade.
Outro fator que ajuda a explicar o aumento das demissões por justa causa é o uso mais intenso de ferramentas de monitoramento dentro das empresas. Sistemas de controle de produtividade e acompanhamento de atividades digitais têm permitido que empregadores identifiquem com mais facilidade comportamentos considerados inadequados, reforçando a aplicação de penalidades mais severas em alguns casos.
Entre as situações que têm aparecido com mais frequência estão o uso excessivo de redes sociais durante o expediente e até práticas como apostas online em horário de trabalho, o que vem sendo apontado por empresas como motivo para advertências e, em casos mais graves, desligamento por justa causa.
Além disso, programas de transferência de renda também entram na discussão sobre o comportamento do mercado de trabalho. A garantia de uma renda mínima, por meio de programas sociais como o Bolsa Família, pode influenciar parte dos trabalhadores a recusar empregos considerados pouco vantajosos ou até deixar ocupações formais. Em alguns setores, como a fruticultura, produtores relatam dificuldade crescente para contratar mão de obra.
No geral, os dados mostram um mercado de trabalho mais dinâmico, com maior circulação de profissionais entre empresas, mas também com efeitos colaterais, como o aumento da rotatividade, o crescimento dos desligamentos por justa causa e desafios cada vez maiores para a retenção de funcionários em diferentes setores da economia.
Com informações do IBGE / Jornal Gazeta e CNN
Foto: ilustrativa – © Marcello Casal jr/Agência Brasi