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Agronegócio

Joaninhas viram armas naturais no campo e ajudam produtor a combater pragas sem químicos

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Insetos pequenos e coloridos atuam desde a fase inicial da vida no controle de pragas, reduzem custos nas lavouras e fortalecem uma produção mais sustentável no Brasil

Pequenas no tamanho, mas gigantes na importância, as joaninhas têm se consolidado como aliadas estratégicas dos produtores rurais no combate às pragas que atacam plantações em todo o país. Esses insetos se alimentam de inimigos comuns das lavouras, como pulgões, cochonilhas, ácaros e moscas-brancas, funcionando como um controle natural altamente eficiente. Para se ter uma ideia, uma única joaninha pode consumir cerca de 50 pulgões por dia, ajudando a proteger as plantações sem a necessidade de produtos químicos.

Esse trabalho começa cedo. Ainda na fase de larva, antes mesmo de atingirem a forma adulta, as joaninhas já atuam ativamente na eliminação de pragas, garantindo uma proteção contínua às culturas agrícolas. Em algumas situações, elas vão além e também auxiliam no controle de doenças, ao consumir fungos que prejudicam plantas, como ocorre em lavouras de quiabo.

O comportamento desses insetos tem sido alvo de estudos realizados por pesquisadores do Instituto Biológico, em Ribeirão Preto, que investigam quais espécies estão presentes nas lavouras, quais pragas preferem e o nível de eficiência desse controle natural. Os estudos também buscam formas de preservar e estimular a presença das joaninhas no campo, ampliando seus benefícios para a produção agrícola.

Os resultados mostram que as joaninhas atuam em diferentes tipos de cultivo, desde hortaliças até grandes lavouras de grãos e cereais, além de pomares de laranja e até plantas ornamentais. Esse trabalho silencioso impacta diretamente a produção de alimentos que chegam diariamente à mesa da população.

Outro fator que chama atenção é a diversidade. Em uma única planta, podem coexistir várias espécies de joaninhas, cada uma especializada no combate a um tipo específico de praga. Em pomares de laranja, por exemplo, algumas espécies combatem pulgões, enquanto outras atuam contra cochonilhas, ácaros e insetos que atacam os citros.

No estado de São Paulo, onde a produção de laranja é uma das maiores do país, esse controle natural é bastante evidente. As joaninhas ajudam a manter as plantações saudáveis e são um exemplo prático de como o chamado controle biológico — quando a própria natureza equilibra o ambiente — pode ser eficiente no Brasil.

A presença desses insetos é ainda mais comum em áreas que adotam práticas agrícolas mais equilibradas, como o cultivo orgânico e o manejo integrado de pragas, que combina diferentes técnicas para reduzir o uso de produtos químicos e preservar o meio ambiente.

E o próprio produtor pode contribuir para manter essas aliadas por perto. Plantas com flores, ricas em pólen e néctar, são fundamentais para atrair e sustentar as joaninhas, especialmente em períodos com menor presença de pragas. Esse ambiente favorável permite que elas se reproduzam e continuem exercendo seu papel protetor nas lavouras.

No fim das contas, as joaninhas se mostram peças-chave no campo: ajudam a reduzir custos, protegem as plantações e contribuem para uma agricultura mais sustentável, equilibrada e eficiente.

Com informações: Esalq e Notícias Agrícolas

Foto: ilustrativa

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