Medicamentos terão reajuste de até 3,81% a partir de abril
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Alta autorizada pelo governo deve pesar no bolso dos brasileiros, especialmente em Minas Gerais, onde gastos com remédios já somam R$ 26,5 bilhões em 2025
A partir desta quarta-feira, 1º de abril, os preços de medicamentos no Brasil poderão subir em até 3,81%, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União. O aumento foi autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão que define limites de reajuste de acordo com o nível de concorrência: remédios com maior disputa entre marcas, como os genéricos, podem atingir o teto de 3,81%, enquanto produtos com concorrência intermediária terão limite de 2,47% e aqueles com poucas opções no mercado não poderão passar de 1,13%.
Apesar do reajuste, o índice é o menor registrado nos últimos 20 anos e está abaixo da inflação acumulada no período, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O cálculo considera a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ajustado pela produtividade da indústria e pelos custos do setor farmacêutico. Mesmo assim, os aumentos não são automáticos: as empresas podem aplicar percentuais menores ou até manter os preços, dependendo das condições de mercado.
Na prática, o impacto varia conforme o tipo de medicamento e a relação entre oferta e demanda. Produtos com maior concorrência, como os genéricos, têm mais margem para reajuste, enquanto itens com menos alternativas ficam mais limitados. Por serem bens essenciais, os consumidores têm pouca possibilidade de adiar a compra, o que facilita a aplicação do aumento.
Para as famílias, o efeito no orçamento é inevitável, sobretudo para quem depende do uso contínuo de remédios. Em Minas Gerais, os gastos com medicamentos chegaram a R$ 26,5 bilhões em 2025, alta de 11,1% em relação ao ano anterior, e a expectativa é que os novos reajustes pressionem ainda mais o bolso da população.
Para a indústria, o aumento abaixo da inflação limita a capacidade de repassar custos, principalmente em um setor que depende fortemente de insumos importados e é sensível à variação do dólar. Por outro lado, o modelo regulatório oferece previsibilidade, permitindo planejamento estratégico. Diante desse cenário, as empresas devem buscar ganhos de eficiência e aumento de escala para compensar custos, embora ainda existam incertezas relacionadas à cotação do dólar e aos preços de matérias-primas no mercado internacional.
Com informações da Agência Brasil e CNN
Foto: Agência Brasil – © Joédson Alves/Agência Brasil