Mudanças no sistema da Receita levam mais de 257 mil contribuintes à malha fina do Imposto de Renda 2026
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Alteração na forma de envio e cruzamento de dados aumentou divergências nas declarações e elevou para mais de 1 milhão o total de retenções, segundo dados do próprio órgão
Uma mudança no sistema de coleta e conferência de informações da Receita Federal acabou provocando um aumento no número de contribuintes que caíram na malha fina do Imposto de Renda de 2026. Até o dia 23 de abril, mais de 257 mil pessoas foram retidas individualmente por inconsistências nas declarações, dentro de um universo que já ultrapassa 1 milhão de documentos com algum tipo de problema.
No total, isso representa 6,96% das declarações enviadas até o período analisado, acima dos 5,22% registrados no mesmo intervalo do ano passado. Apesar da alta, a Receita avalia que a situação ainda está dentro de um patamar considerado administrável.
O principal motivo para o aumento das inconsistências está na transição do modelo antigo de envio de informações para um sistema mais automatizado. Antes, dados de rendimentos eram concentrados em um único documento anual enviado pelas empresas. Agora, essas informações passaram a ser repassadas mensalmente por diferentes plataformas digitais, como sistemas usados para registros trabalhistas e fiscais.
Na prática, isso aumentou a complexidade do cruzamento de dados e gerou divergências entre as informações enviadas pelas empresas e aquelas que aparecem na declaração pré-preenchida do Imposto de Renda. Muitos contribuintes acabaram encontrando diferenças nos valores de salários, rendimentos e descontos, o que levou ao bloqueio das declarações para verificação.
Empresas também relatam dificuldades nesse processo, já que precisam conferir e corrigir informações mês a mês, sem um resumo único consolidado. Além disso, há queixas de demora na atualização das bases da Receita Federal, o que faz com que alguns erros continuem aparecendo mesmo após correções feitas pelas fontes pagadoras.
Especialistas avaliam que a mudança para o novo sistema poderia ter sido feita de forma mais gradual, com um período maior de adaptação para reduzir os impactos no início da operação.
A Receita Federal reconhece que falhas podem ocorrer durante esse tipo de transição, mas afirma que empresas e sistemas estão se ajustando progressivamente. O órgão também destaca que o novo modelo é parte de um processo de modernização que, no futuro, deve permitir maior automação e simplificação na declaração do Imposto de Renda.
Para quem ainda vai enviar a declaração, a orientação é conferir sempre o informe de rendimentos fornecido pela empresa. Em caso de divergência, o contribuinte deve procurar a fonte pagadora para correção das informações. Após o ajuste, a regularização costuma ocorrer de forma automática em poucos dias.
Fonte: Portal UAI / CNN e SBT News
Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasi