Prejuízo dos Correios dispara e chega a r$ 8,5 bilhões em 2025; rombo mais que triplica e estatal enfrenta plano de reestruturação para tentar evitar piora nas contas
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Balanço divulgado pela direção da estatal mostra forte aumento das perdas em 2025, queda na receita, crescimento de despesas judiciais e avanço de um plano de ajuste financeiro que prevê cortes, venda de ativos e renegociação de dívidas
Os Correios fecharam 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, resultado que mais que triplica o rombo registrado em 2024, quando as perdas somaram R$ 2,6 bilhões. O aumento do déficit ocorre em meio à redução de 11,35% na receita bruta, que ficou em R$ 17,3 bilhões, e ao avanço de despesas obrigatórias, principalmente pagamentos determinados pela Justiça, conhecidos como precatórios — valores que o governo ou estatais precisam pagar após decisões judiciais definitivas. Só nesse tipo de despesa, foram R$ 6,4 bilhões em 2025, alta de 55% em relação ao ano anterior. Com isso, a empresa terminou o ano com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões, indicando que as dívidas superam os bens e recursos disponíveis.
Os números foram apresentados pela direção da estatal, sob comando de Emmanoel Rondon, junto ao plano de reestruturação lançado no fim de 2025. A estratégia está vinculada a um empréstimo de R$ 12 bilhões obtido com cinco grandes bancos, com garantia da União, ou seja, com respaldo do governo federal caso a empresa não consiga honrar os pagamentos.
Entre as medidas adotadas está um programa de desligamento voluntário, no qual funcionários podem deixar a empresa mediante compensação financeira. A meta inicial era de 10 mil adesões, mas apenas 3.181 trabalhadores aceitaram o acordo, o que representa cerca de 32% do previsto. Mesmo abaixo do esperado, a estatal afirma que a medida deve gerar uma economia de 40% em relação ao valor inicialmente projetado.
O plano de reestruturação está dividido em três fases: recuperação financeira, consolidação das operações e crescimento. Entre as ações estão a venda de imóveis, o fechamento ou redução de unidades deficitárias e a renegociação de dívidas com fornecedores, além de acordos com a Receita Federal e o reequilíbrio de pagamentos judiciais. Segundo a empresa, cerca de 97% dos compromissos mapeados na primeira etapa já foram quitados ou renegociados.
A direção dos Correios projeta reduzir o déficit em 2026 e voltar a registrar lucro em 2027. No entanto, a própria estatal estima que o rombo total possa chegar a R$ 20 bilhões, em um cenário de custos elevados e forte concorrência no setor de logística, impulsionado pelo crescimento do comércio eletrônico no país.
Com informações da CNN – Portal UAI e O Globo
Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil
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