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Agronegócio

Produção de café em minas deve crescer mais de 23% em 2026, mas clima ainda ameaça safra

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Levantamento com produtores aponta recuperação após perdas, enquanto seca e calor atingem 40% das lavouras e mantêm preocupação no campo

A safra de café de 2026 em Minas Gerais, maior produtor do país, deve apresentar uma recuperação significativa após um ano mais fraco, mas ainda sob forte impacto das condições climáticas. Um levantamento do Sistema Faemg Senar, feito com cerca de 5 mil produtores, indica que a produção média pode crescer 23,6% em relação a 2025.

O avanço é puxado principalmente pelo café arábica, o tipo mais cultivado no estado, com alta prevista de 22,8%, enquanto o conilon — variedade mais resistente — pode registrar crescimento ainda maior, de 37,7%. A produtividade média estimada é de 32,9 sacas por hectare. Apesar dos números positivos, especialistas evitam classificar o momento como uma “supersafra” e preferem falar em recuperação, já que o setor ainda sente os efeitos recentes do clima.

Parte desse aumento se explica pela chamada bienalidade positiva, um ciclo natural do cafeeiro em que, após um ano de menor produção, a planta tende a produzir mais no período seguinte. Esse fator foi apontado por mais da metade dos produtores ouvidos na pesquisa. Ainda assim, as perdas provocadas por problemas climáticos são relevantes e devem chegar a cerca de 17% da produção.

O estudo mostra que 40% das áreas de café no estado foram afetadas por eventos como calor excessivo, estiagem prolongada e chuvas irregulares. O momento mais crítico ocorreu na fase inicial de formação dos frutos, conhecida como “chumbinho”, quando os grãos ainda estão se desenvolvendo. Nessa etapa, foram registrados cerca de 60% dos danos, com queda e má formação dos frutos, além de atrasos no calendário agrícola e mudanças no manejo das lavouras para tentar conter prejuízos.

Com a colheita se aproximando, produtores do Sul de Minas já começam a se preparar. Em Varginha, por exemplo, propriedades iniciam a organização de terreiros e a revisão de máquinas, mirando não apenas o volume, mas também a qualidade do café. A expectativa em algumas lavouras gira em torno de 30 sacas por hectare, mantendo padrões elevados que valorizam o produto no mercado.

A orientação técnica é reforçar a manutenção preventiva de equipamentos de colheita e beneficiamento, medida que ajuda a reduzir custos e evita perdas de qualidade dos grãos. Além disso, a proximidade da safra também exige atenção fora do campo. A contratação de trabalhadores temporários, comuns nesse período, deve seguir as regras trabalhistas, incluindo registro formal e uso de equipamentos de proteção, para garantir segurança tanto ao produtor quanto aos funcionários.

Mesmo com a previsão de maior oferta de café em 2026, o cenário de preços ainda é incerto. A tendência é de manutenção da volatilidade, sem quedas bruscas, já que os custos de produção aumentaram, especialmente por causa das ações extras necessárias para enfrentar os efeitos do clima nas lavouras.

Com informações da FAEMG
Foto: Diego Vargas SEAPA – Agênca Minas

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