Exportações de ovos de Minas crescem mais de 15% e ganham espaço no mercado internacional
Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -
Crescimento é impulsionado pela abertura do mercado do Chile, que concentra a maior parte das compras, enquanto estado amplia presença em países da África, Europa e Ásia e mantém força no agronegócio
O agronegócio de Minas Gerais começa 2026 com um sinal claro de diversificação e expansão: as exportações de ovos cresceram 15,7% nos dois primeiros meses do ano, alcançando 1,1 mil toneladas enviadas ao exterior. No mesmo período, a receita chegou a US$ 1,5 milhão, um aumento de 4,4% em comparação com o início de 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pela abertura do mercado do Chile, que hoje responde por cerca de 70% das compras do produto mineiro.
A entrada no mercado chileno foi facilitada por um modelo chamado “pré-listagem”, que na prática permite que empresas brasileiras já autorizadas pelos órgãos sanitários exportem diretamente, sem precisar passar por inspeções individuais em cada nova venda. Isso agiliza os embarques e amplia as oportunidades de negócio. Além do Chile, os ovos produzidos em Minas também chegam a países da África, Europa e Ásia, como Mauritânia, Serra Leoa, Gâmbia, Cuba, Colômbia, Itália e Japão.
Mesmo com esse desempenho positivo em setores específicos, o cenário geral das exportações do agro mineiro apresenta um leve recuo em valor. Entre janeiro e fevereiro, o estado somou US$ 2,4 bilhões com o envio de 1,5 milhão de toneladas de produtos ao exterior. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 5,2% na receita, embora o volume tenha se mantido praticamente estável, com leve alta de 0,3%. Isso indica que a redução no faturamento está mais ligada à queda nos preços médios das mercadorias do que à diminuição das vendas.
Ainda assim, Minas Gerais segue firme como o terceiro maior exportador do agronegócio brasileiro, sendo responsável por quase 11% de toda a receita nacional do setor. Ao todo, 397 produtos diferentes foram enviados para 148 países, com destaque para mercados como China, Estados Unidos, Alemanha e Itália.
O café continua sendo o carro-chefe das exportações mineiras, com US$ 1,6 bilhão em vendas e 3,6 milhões de sacas embarcadas no primeiro bimestre. Já o setor de carnes — que inclui bovinos, suínos e frango — também teve papel importante, com faturamento de US$ 274,7 milhões, alta de 11,4%, e crescimento de 3% no volume exportado, totalizando 76,2 mil toneladas.
Outros segmentos também contribuíram para o resultado. O setor sucroalcooleiro, ligado à produção de açúcar e etanol, exportou 535,6 mil toneladas, somando US$ 191 milhões, com aumento expressivo no volume, apesar de uma leve queda na receita. O complexo da soja, que inclui grãos, óleo e farelo, registrou forte crescimento, com US$ 130,3 milhões em vendas e avanço tanto em volume quanto em valor. Já os produtos florestais, como celulose, madeira e papel, movimentaram cerca de US$ 176,2 milhões, com 330,8 mil toneladas embarcadas.
O desempenho dos ovos, mesmo ainda representando uma fatia menor dentro do agronegócio, reforça uma tendência importante: Minas Gerais amplia sua presença internacional não apenas com produtos tradicionais, mas também com novos itens, ganhando espaço e reduzindo a dependência de poucos mercados ou commodities.
Com informações da Agência Minas
Foto: Seapa-MG / Divulgação