Alta de combustíveis e clima adverso pressionam preços de frutas e hortaliças na Ceasa Minas; cebola dispara até 69% e alimentos ficam mais caros em março
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Relatório da Conab aponta forte alta em produtos básicos comercializados na Ceasa Minas em Belo Horizonte, com impactos do clima, fim de safra e aumento dos custos de transporte, especialmente o combustível, que encarece toda a cadeia de abastecimento
Os preços de frutas e hortaliças registraram aumento expressivo em março na Ceasa Minas, em Belo Horizonte, segundo dados do Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A combinação entre alta dos combustíveis, condições climáticas desfavoráveis e encerramento de algumas safras reduziu a oferta de produtos e pressionou os preços no mercado atacadista.
O principal destaque foi a cebola, que teve alta de 69,35% em março em relação a fevereiro. O quilo do produto foi negociado, em média, a R$ 2,68. Segundo a Conab, a elevação está diretamente ligada ao fim da safra e ao aumento dos custos de transporte, já que o combustível mais caro encarece o deslocamento das cargas até os centros de distribuição.
Outro produto com forte aumento foi a cenoura, que subiu 34,9% no período, também chegando a R$ 2,68 o quilo. Mesmo com Minas Gerais sendo o principal polo produtor do país, especialmente na região de São Gotardo, a oferta caiu por causa das chuvas frequentes, que dificultaram a colheita, além do aumento no custo do frete.
O tomate também registrou alta importante, de 30,21%, com o quilo vendido a cerca de R$ 4,28. A Conab explica que a menor oferta no período, somada ao esgotamento de áreas de colheita e ao calor mais intenso no fim de 2025, reduziu a disponibilidade do produto no mercado.
A batata teve aumento de 10,30%, com preço médio de R$ 2,11 o quilo. A queda na oferta diária em Minas Gerais, que é um dos principais produtores do país, ajudou a pressionar os valores. Já no início de abril, o mercado chegou a registrar novos aumentos, impulsionados pela redução de estoques após a Semana Santa.
Entre as frutas, o mamão foi o que mais subiu, com alta de 19,37%, chegando a R$ 4,58 o quilo. A valorização foi influenciada pela maior procura pela variedade formosa e por perdas de qualidade em parte da produção do mamão papaya devido a doenças causadas pelas chuvas.
A banana também ficou mais cara, com alta de 16,4% e preço médio de R$ 3,56 o quilo. Mesmo com aumento na oferta, a demanda mais forte em março ajudou a sustentar os preços. Já a melancia subiu 5,79%, refletindo tanto a boa procura quanto o aumento nos custos de transporte.
Por outro lado, algumas frutas tiveram queda. A laranja recuou 3,27%, enquanto a maçã caiu 8,17%, influenciada pela boa safra na região Sul do país, que aumentou a oferta e ajudou a segurar os preços no mercado nacional.
O cenário reforça como fatores climáticos e custos logísticos, especialmente o preço do combustível, têm impacto direto no valor dos alimentos que chegam ao consumidor, principalmente nos grandes centros de abastecimento como a Ceasa Minas.
Com informações da Conab / Cepea / Diário do Comércio
Foto: Eugênio Sávio – Agência Minas