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Brasil

Endividamento das famílias no Brasil bate 49,9% e iguala recorde histórico; quase 30% da renda já está comprometida com dívidas, aponta Banco Central

Sérgio Monteiro

Jornalista | Radialista | Comunicador Multimídia -

Dados oficiais mostram avanço do crédito no país e aumento da pressão sobre o orçamento das famílias, com nível de endividamento no maior patamar da série histórica e crescimento do peso das dívidas na renda mensal dos brasileiros

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,9% em fevereiro, segundo dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (27). O índice representa o maior nível já registrado na série histórica iniciada em 2005 e indica que quase metade da renda das famílias no país está comprometida com dívidas.

O levantamento considera o total de empréstimos, financiamentos, uso de cartão de crédito e outras operações de crédito em relação à renda acumulada das famílias. O resultado também mostra leve alta em relação ao mês anterior, quando o índice estava em 49,8%, consolidando o cenário de estabilidade em nível elevado, próximo do recorde anterior registrado em 2022.

Além do aumento do endividamento total, o Banco Central aponta que o comprometimento da renda das pessoas físicas com o pagamento dessas dívidas também cresceu e chegou a 29,7% em fevereiro. Isso significa que praticamente 30% de tudo o que as famílias ganham já está sendo usado para pagar parcelas e juros de dívidas, um avanço tanto na comparação mensal quanto no acumulado de 12 meses.

Em termos simples, o dado revela que o espaço no orçamento das famílias está cada vez mais apertado: mesmo quem mantém renda estável tem uma fatia crescente do salário destinada ao pagamento de créditos já contratados.

Especialistas apontam que esse movimento está ligado a uma combinação de fatores, como maior acesso ao crédito nos últimos anos, uso intensivo de modalidades como cartão de crédito e empréstimos pessoais, além de juros ainda elevados no país, que encarecem o custo das dívidas e dificultam a quitação.

Outros levantamentos do mercado financeiro também vêm indicando aumento da inadimplência — quando há atraso ou não pagamento de dívidas — e maior dependência de linhas de crédito mais caras, o que reforça a preocupação com o equilíbrio financeiro das famílias.

O cenário pressiona o debate econômico e coloca em discussão a necessidade de medidas de renegociação de dívidas e estímulo a crédito com juros menores, já que o alto comprometimento da renda tende a reduzir o consumo e aumentar o risco de nova elevação da inadimplência nos próximos meses.

Com informações do Banco Central  / CNN / Portal UAI

Foto: © Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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