A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), enviou nesta terça-feira (28) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, um pedido para celebrar acordo de colaboração premiada, além de solicitar sua transferência do presídio da Papuda.
No documento, os advogados afirmam que o ex-dirigente manifestou disposição em colaborar com as autoridades, possivelmente por meio de delação. Eles ressaltam, porém, que a formalização do acordo depende de critérios como a vontade do investigado, a análise técnica sobre a relevância das informações e provas apresentadas, e uma decisão consciente sobre regras e possíveis consequências do acordo.
A defesa também argumenta que as condições da Papuda dificultam esse processo, pois não garantem o sigilo necessário nas conversas entre cliente e advogados nem permitem o acesso adequado a provas, o que comprometeria a qualidade das informações e a própria viabilidade da colaboração.
Por isso, solicitam a transferência para outro local — com tendência de pedido para a sede da Polícia Federal em Brasília — onde, segundo eles, seria possível assegurar a confidencialidade e o pleno exercício da defesa.
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e novembro de 2025, quando foi afastado após o escândalo envolvendo o Banco Master. Ele está preso desde 16 de abril, no âmbito da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes bilionárias ligadas à instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com as investigações, Costa teria negociado o recebimento de cerca de R$ 146,5 milhões em propina, por meio de imóveis, em troca de favorecer negócios entre o BRB e o Master. A tentativa de compra do banco pelo BRB, em setembro de 2025, foi barrada pelo Banco Central, que posteriormente determinou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro do mesmo ano.